Heineken vai eliminar até 6.000 empregos diante de queda no consumo de cerveja

Corte equivalente a cerca de 7% da força de trabalho global vai se aplicar principalmente na Europa ao longo de dois anos, disse a empresa holandesa em comunicado, em momento de demanda mais fraca com novos hábitos de consumo e preços mais altos

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Bloomberg — A Heineken cortará o equivalente a cerca de 7% de sua força de trabalho global, à medida que a cervejaria holandesa enfrenta uma queda na demanda de cerveja que também afeta as rivais, à medida que os preços sobem e os consumidores moderam seu consumo de álcool - em razão também de mudanças de comportamento.

A cervejaria, que também fabrica as marcas Tecate e Amstel, disse nesta quarta-feira (11) que cortará de 5.000 a 6.000 empregos - principalmente na Europa - de uma força de trabalho global de 87.000.

A empresa também informou que os volumes de cerveja comercializados caíram em 2025, embora a queda de 2,4% tenha sido um pouco menor do que as estimativas dos analistas.

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Os cortes de empregos são as últimas consequências de uma retração pós-pandemia no consumo de cerveja nos principais mercados, incluindo os EUA e a Europa.

A desaceleração desencadeou recentemente uma mudança de liderança, com a Heineken surpreendendo os investidores no mês passado ao dizer que o CEO Dolf van den Brink deixará o cargo em maio.

Encontrar seu sucessor é uma “prioridade máxima” para o conselho, disse Van den Brink à Bloomberg TV na quarta-feira, acrescentando que a Heineken espera que a categoria de bebidas alcoólicas se recupere no futuro.

“Continuamos prudentes no curto prazo e confiantes no médio e longo prazo de que a categoria voltará a crescer.”

As ações da Heineken subiram até 4,4% no início do pregão em Amsterdã, a maior alta intradiária desde junho, com a notícia dos cortes de empregos. Elas subiram 7% no acumulado deste ano até o fechamento de terça-feira (10).

A empresa disse que a redução do número de funcionários ocorrerá ao longo de dois anos, enquanto tenta cortar custos.

A empresa também previu um crescimento do lucro operacional entre 2% e 6% este ano, em comparação com 4,4% em 2025, que ficou na extremidade inferior de sua faixa de orientação ao mercado - o guidance.

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A previsão da Heineken é um pouco mais amarga do que o mercado pode ter esperado, mas prepara a empresa para a entrega em um ano de transição, disseram os analistas da Jefferies Edward Mundy e Sebastian Hickman em uma nota.

A rival dinamarquesa Carlsberg ampliou, na semana passada, seu guidance para o lucro operacional para o ano, ao alertar sobre a demanda futura moderada nos mercados ocidentais.

-- Com a colaboração de Guy Johnson.

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