Bloomberg — A gravadora alemã BMG Rights Management está em conversas para fazer uma oferta pela Concord, em um negócio que poderia avaliar a empresa de música americana em até US$ 7 bilhões, disseram pessoas familiarizadas com o assunto à Bloomberg News. A transação uniria duas das maiores gravadoras independentes do mundo.
A BMG considera fazer uma oferta em dinheiro e ações, disseram as fontes. As empresas ainda estão negociando e podem não chegar a um acordo, afirmaram.
Uma combinação entre a Concord e a BMG — que faz parte da gigante de mídia alemã Bertelsmann — teria a agilidade de uma independente com o alcance global e o poder de marketing de uma “major” (grande gravadora).
O catálogo uniria artistas como Kylie Minogue, Mötley Crüe, Miles Davis e o rapper Killer Mike. A Concord, cujo acionista majoritário é o Sistema de Aposentadoria do Estado de Michigan, também possui um catálogo de músicas da Broadway, incluindo canções de Hamilton, O Fantasma da Ópera e O Mágico de Oz.
O potencial negócio é um sinal do crescente poder das gravadoras de “médio porte” nos últimos anos, afirmou Mark Mulligan, analista da MIDiA Research.
“Agora você tem toda essa linhagem de empresas que não são nem independentes nem majors”, disse Mulligan. “São empresas que possuem recursos e estrutura global, crescendo majoritariamente por aquisições. As grandes gravadoras não dominam mais o acesso ao financiamento.”
O apelo da Concord reside no fato de possuir sucessos em seu portfólio. “Uma parcela relativamente pequena do repertório pode representar a maior parte do valor”, disse. “Desde que tenha hits, escala e fluxo de caixa comprovado, ela tem valor.”
É esperado que Bob Valentine, CEO da Concord, lidere a BMG Rights Management caso um acordo seja alcançado, disseram as fontes. Thomas Coesfeld, o atual CEO da BMG Rights, está programado para assumir a liderança da Bertelsmann em janeiro de 2027.
Coesfeld, neto do falecido patriarca da Bertelsmann, o bilionário Reinhard Mohn, tem trabalhado para cortar custos e combater a queda nas receitas. Nos primeiros seis meses de 2025, a receita da BMG caiu 7,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, mostra o último relatório financeiro da companhia.
Ao mesmo tempo, ele busca a aquisição de catálogos, tendo concluído 17 no período, elevando o investimento total em catálogos de direitos musicais desde 2021 para cerca de € 1,2 bilhão (US$ 1,4 bilhão).
Histórico de expansão
A Concord manteve conversas para venda há cinco anos, buscando mais de US$ 5 bilhões, mas não concretizou o negócio. Desde então, a empresa adquiriu mais ativos, incluindo as obras do Genesis. A companhia começou como um selo de jazz e cresceu por meio de aquisições, incluindo Bicycle Music, Sugar Hill Records e Fantasy Records.
Catálogos musicais continuam a atrair capital de investidores que buscam fluxo de caixa previsível, a partir da popularidade de plataformas de streaming como Spotify e YouTube.
Em setembro, a BMG comprou as músicas da superestrela country Jason Aldean — parte da maior aquisição individual de catálogo na história da empresa — em um negócio avaliado em cerca de US$ 250 milhões.
A Bertelsmann entrou no negócio da música na década de 1950, vendendo posteriormente a maior parte de seus ativos para a Sony Music e a Universal Music. Ela criou uma nova BMG em 2008 e gradualmente reuniu gravadoras, editoras musicais e distribuidoras, incluindo o BBR Music Group, de Nashville.
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