Fim do home office? Presencial volta a dominar em LatAm, dizem WeWork e Michael Page

Estudo das empresas indica que 48% dos trabalhadores na América Latina agora trabalham exclusivamente no modelo presencial, ante 16% em 2023; enquanto isso, 35% mantêm um regime híbrido e 8%, totalmente remoto

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Bloomberg Línea — Quarenta e oito porcento dos trabalhadores na América Latina já trabalham exclusivamente em formato presencial, ante 16% em 2023, de acordo com um estudo da empresa de espaços de trabalho compartilhados WeWork e da empresa de recrutamento de profissionais Michael Page.

O retorno aos escritórios responderia principalmente à necessidade de fortalecer a colaboração entre as equipes.

Entre as principais vantagens do trabalho presencial, os funcionários destacam a integração da equipe, a comunicação direta e o fortalecimento das relações interpessoais.

Segundo os autores, as empresas estão deixando para trás a fase experimental para adotar modelos híbridos “mais estruturados e sustentáveis”.

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“Hoje estamos testemunhando uma fase de maturidade na forma como as empresas gerenciam seus espaços de trabalho”, afirmou Claudio Hidalgo, presidente da WeWork na América Latina, em um comunicado.

“Mais do que escolher entre o trabalho remoto ou presencial, as organizações estão apostando em modelos híbridos que lhes permitam se adaptar às necessidades dos profissionais e às dinâmicas de colaboração exigidas pelos negócios”.

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O relatório indica que 35% dos trabalhadores mantêm um regime híbrido, enquanto o trabalho totalmente remoto se limita a uma minoria (9%).

Enquanto isso, 8% trabalham remotamente, com a possibilidade de comparecer ao escritório.

Além disso, 35% dos entrevistados afirmam que hoje vão ao escritório com mais frequência do que há um ano, “refletindo um ajuste gradual nas políticas corporativas de presença física”.

Quarenta e cinco porcento continuaram na mesma modalidade em que estavam e 20% vão ao escritório com menos frequência.

“Independentemente de ser com maior ou menor frequência, 67% afirmam que isso afetou sua vida de forma positiva, enquanto 33% afirmam que o impacto foi negativo”, de acordo com o documento.

O estudo “IA e presença física: o novo panorama do trabalho”, elaborado pela WeWork e pela Michael Page, foi realizado com base em mais de 5.000 pesquisas e 150 entrevistas em países da região, como Colômbia, México, Chile, Peru e Argentina.

Preferência por modelo híbrido

De acordo com o relatório, 54% dos trabalhadores preferem combinar jornadas de trabalho remoto com dias de trabalho presencial. Desses, 55% preferem ir ao escritório de um a dois dias por semana, enquanto 45% preferem ir três ou mais dias.

A geração que mais prefere o ensino presencial é a dos baby boomers, com 38%.

Por outro lado, quem mais resiste ao trabalho presencial são os jovens da Geração Z, com 14%, seguidos de perto pelos millennials (15%).

Atualmente, entre os trabalhadores em regime híbrido, 12% vão ao escritório apenas um dia por semana, 31% vão dois dias por semana e os 57% restantes vão três ou mais dias por semana.

“Fica claro que a força de trabalho tem pouca margem de escolha nesse aspecto, já que, na maioria dos casos, trata-se de uma política estabelecida pelas empresas”, segundo o relatório.

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O relatório mostra que essa transformação também está remodelando o mercado de escritórios e o design corporativo.

As empresas estão deixando de priorizar o tamanho dos espaços para se concentrarem em ambientes que favoreçam a interação, a criatividade e a experiência das equipes.

Nesse sentido, elas indicam que as empresas priorizam ambientes projetados para reuniões, inovação e trabalho em equipe, em vez de tarefas individuais.

Ficar ou mudar de emprego

O relatório indica que 18% dos profissionais não aceitariam voltar a um modelo totalmente presencial.

Além disso, 31% dos entrevistados afirmaram que não considerariam uma oferta de emprego que não incluísse opções de trabalho remoto.

“Além da modalidade de trabalho, os profissionais levam em conta outros fatores fundamentais para permanecer em um emprego ou aceitar uma nova oferta. Entre eles, destacam-se um salário competitivo, planos de saúde e de vida, bem como flexibilidade e autonomia”, explicam a WeWork e a Michael Page.

Uma das conclusões é que “as organizações que combinam presença física e autonomia alcançam melhores níveis de produtividade, atração e retenção de talentos”.

“Os profissionais se encontram na encruzilhada de aceitar novas políticas de retorno ao trabalho presencial e, embora não se mostrem relutantes a isso, também é verdade que é necessário chegar a um meio-termo com o empregador, que lhes permita continuar mantendo certos parâmetros de flexibilidade e autonomia”, afirma o documento.

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