Espaçolaser estuda parcerias em wellness para crescer além da depilação, diz CEO

Maior rede de depilação a laser do Brasil quer ocupar um espaço maior no mercado de beleza; em entrevista à Bloomberg Línea, a CEO Magali Leite confirmou planos de parcerias com marcas do setor e alertou para os riscos de entrar em procedimentos como botox e preenchimento

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Bloomberg Línea — A Espaçolaser (ESPA3) quer crescer sem abrir novas lojas. Com 810 unidades no Brasil, a companhia estuda parcerias com outras marcas para entrar no universo de wellness, estética e beleza.

A movimentação foi confirmada pela CEO Magali Leite em entrevista à Bloomberg Línea e representa a principal alavanca de crescimento ainda não executada da rede de depilação a laser.

“A empresa se comprometeu a olhar parcerias estratégicas, a fazer combinação com outras marcas dentro desse espectro de saúde, estética, beleza, wellness”, disse Leite.

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A executiva não revelou nomes nem prazos, mas afirmou que a expansão não passa necessariamente pela incorporação direta de novos procedimentos. Parcerias e colaborações com marcas complementares são o caminho preferencial.

O movimento segue uma lógica comercial de aproveitar os espaços atuais e seus próprios consumidores atuais. A Espaçolaser atende uma base de clientes fiel, de alto retorno e concentrada em shoppings de médio e alto padrão. Levar essa base para novos serviços, sem abrir novas lojas, é a equação que a companhia tenta resolver.

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A CEO listou alguns riscos. Entrar em botox, bioestimuladores e preenchimento significa competir com dermatologistas, biomédicos, dentistas e salões ao mesmo tempo.

“Essa turma está sofrendo um pouco mais”, disse, referindo-se a redes que já foram nessa direção.

A Espaçolaser prefere a expansão por equipamentos, como laser facial e ultrassom, que preservam a lógica escalável do modelo atual, argumentou a executiva.

O apetite para crescer vem depois de um ano em que a operação entregou consistência. O ticket médio subiu 10% em 2025 e ficou acima de R$ 1.400 nos quatro trimestres do ano.

As vendas nas lojas abertas há mais de um ano (same-store sales) cresceram 5,4% em 2025, após ficarem estáveis em 2024. Em novembro passado, a Black Friday nas lojas próprias foi a maior em 22 anos de história da companhia. O Ebitda ajustado chegou a R$ 256,8 milhões no ano, com uma margem de 23,1%.

A substituição dos sistemas de resfriamento a gás por equipamentos próprios, concluída em 81% das lojas, gerou economia de R$ 5 milhões só no quarto trimestre. Quando a substituição estiver concluída em toda a rede, a economia pode chegar a R$ 32 milhões por ano, segundo a CEO.

Dívida e BNDES

No lado financeiro, a dívida foi reestruturada em outubro. A companhia quitou os passivos da holding e emitiu R$ 593 milhões em novas debêntures pela empresa operacional, reduzindo o spread de CDI + 4,5% para CDI + 3,25%.

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O nível de alavancagem encerrou 2025 em 1,78x dívida líquida sobre Ebitda, o menor nível em quatro anos.

Além disso, em janeiro de 2026, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) liberou R$ 20 milhões em uma linha de 16 anos a Selic + 1,37%, destinada à modernização de equipamentos.

Provisões para demandas judiciais

Uma linha do balanço destoa. As provisões para demandas judiciais de longo prazo saltaram 153,6% em 12 meses, de R$ 6,2 milhões para R$ 15,8 milhões.

Leite disse que a base anterior estava abaixo do padrão do setor e que o nível atual ainda é inferior à média de players comparáveis. “A gente acredita que está sob controle”, disse.

Para o Itaú BBA, que acompanha a ação, a execução do plano estratégico da companhia é reconhecida, mas a desaceleração do consumo é o risco central, segundo relatório divulgado antes do balanço.

Com preço-alvo de R$ 1,20 para o fim de 2026, o banco vê espaço de valorização de apenas 2% a partir do nível atual e mantém uma recomendação neutra (market perform).

As ações da Espaçolaser, que encerraram a quarta-feira (25) cotadas a R$ 1,18, acumulam uma alta da ordem de 13% neste ano e de 68% nos últimos 12 meses.

Isso significa que o Itaú BBA espera que o papel se comporte em linha com o restante do mercado, sem vantagem relevante para o investidor.

Leite não se alinha a essa leitura. “A gente não se pauta pela referência do Itaú. Acompanhamos outras casas que estão com essa visão bem acima, na casa de R$ 5″.

O Itaú BBA projeta lucro líquido de R$ 54 milhões para 2026 e avalia o papel a 8 vezes esse lucro esperado, múltiplo abaixo da média de 10 vezes praticada pelo setor varejista. A diferença reflete a menor liquidez do papel na bolsa em relação aos concorrentes.

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