Disney: streaming decepciona e ofusca resultados acima do esperado no trimestre

Embora as ações tenham despencado com a divulgação do balanço, resultados marcaram o 4º trimestre consecutivo em que a Disney superou as expectativas de lucro

A Walt Disney elevou seu guidance para o crescimento dos lucros anuais de 20% para 25%
Por Thomas Buckley
07 de Maio, 2024 | 09:58 AM

Bloomberg — As ações da Disney (DIS) despencaram nesta terça-feira (7) depois que a maior empresa de entretenimento do mundo relatou que o número de assinantes de seu serviço de streaming Disney+ veio abaixo do esperado pelos analistas e a perspectiva de lucro para o ano também ficou aquém.

As ações caíam 8% por volta das 10h (horário de Brasília), antes da abertura dos mercados em Nova York.

Embora a Disney tenha elevado seu guidance para o crescimento dos lucros anuais para 25%, ante 20%, os analistas projetavam um aumento de 25,5%.

Já os assinantes do Disney+ somaram 153,6 milhões nos três meses encerrados em 30 de março, menos do que os 155,66 milhões esperados por Wall Street. As decepções ofuscaram o que, de outra forma, seria um forte balanço do segundo trimestre fiscal.

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Os ganhos subiram para US$ 1,21 por ação, excluindo alguns itens, no período encerrado em 30 de março, superando a média de US$ 1,12 das estimativas dos analistas. A receita nos primeiros três meses do ano, por sua vez, aumentou 1,2% para US$ 22,08 bilhões, em comparação com a previsão dos analistas de US$ 22,1 bilhões.

Embora as ações tenham despencado com a divulgação do balanço, os resultados marcaram o quarto trimestre consecutivo em que a Disney superou as expectativas de lucro, sinalizando que uma virada está ganhando momentum sob a liderança do CEO Bob Iger.

Esses ganhos ajudaram Iger a derrotar o investidor ativista Nelson Peltz, que fez uma campanha sem sucesso por um assento no conselho da Disney na reunião anual de abril.

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O diretor financeiro Hugh Johnston descreveu o trimestre como “um forte para nós”, em uma entrevista à Bloomberg TV, destacando os fortes ganhos na divisão de experiências da empresa. O lucro subiu 12% na divisão da Disney que inclui parques, enquanto as perdas com streaming diminuíram para US$ 18 milhões, ante US$ 659 milhões no ano anterior.

Enquanto os chamados consumidores de valor ainda estão lutando para decidir onde gastar seu dinheiro, Johnston disse: “não estamos vendo isso em nosso portfólio de produtos”. Ele observou que a Disney não viu muito impacto após aumentar os preços de streaming no início deste ano.

As ações da companhia subiram 29% este ano até segunda-feira (6), com Iger apresentando iniciativas como um investimento de US$ 1,5 bilhão na Epic Games, cortes de custos acentuados e a retomada dos pagamentos de dividendos.

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A parte de entretenimento do segmento de consumo direto da empresa, que inclui Disney+ e Hulu, mas não a ESPN+, registrou um lucro de US$ 47 milhões, à medida que o crescimento das vendas superou os custos maiores de programação e marketing.

“Ficamos lucrativos mais cedo do que esperávamos, pois os custos vieram melhores”, disse o Chefe Financeiro, Hugh Johnston, em uma entrevista à Bloomberg News por telefone.

Segundo ele, o resultado do streaming no terceiro trimestre fiscal será mais fraco devido ao cronograma dos custos relacionados ao cricket na Índia, mas a empresa ainda espera que todo o negócio de streaming seja lucrativo no quarto trimestre fiscal.

O lucro nos parques temáticos deve ficar estável no terceiro trimestre devido a despesas como um novo navio de cruzeiro antes de retomar o crescimento mais adiante no ano, disse Johnston.

Principais drivers

O lucro da divisão de parques temáticos da Disney subiu para US$ 2,29 bilhões no segundo trimestre, impulsionado pelos resultados significativamente melhores no exterior, especialmente em Hong Kong.

No ambiente doméstico, a linha de cruzeiros da empresa e o resort Disney World na Flórida registraram crescimento de receita, enquanto a Disneyland da Califórnia registrou um desempenho mais fraco devido a custos mais altos.

A Disney não teve nenhum lançamento de filmes no trimestre, parcialmente devido às greves simultâneas de escritores e atores no ano passado. Iger está buscando revitalizar esse negócio atrasando alguns longas para focar na qualidade.

A unidade que inclui o estúdio de cinema reportou um prejuízo de US$ 18 milhões no trimestre com uma queda de 40% nas vendas.

As redes tradicionais de TV, que um dia foram um motor de crescimento para a empresa, reportaram resultados mais fracos. As vendas caíram 8% para US$ 2,77 bilhões na unidade que inclui ABC, Disney Channel e outras redes de TV.

Já o lucro caiu 22%, para US$ 752 milhões, devido a menores vendas de anúncios e menos assinantes de TV a cabo.

No segmento esportivo, em que ficam a ESPN e suas redes relacionadas, as vendas aumentaram 2% para US$ 4,31 bilhões, enquanto o lucro caiu 2% para US$ 778 milhões, devido em parte a maiores taxas domésticas de direitos autorais.

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