Bloomberg Línea — Após cinco anos como CEO do Santander Brasil (SANB11), Mario Leão avalia que deixa um banco com uma operação melhor do que a que encontrou em 2021.
“[O Santander é hoje] um banco em vários aspectos melhor, mas não quer dizer que eu não recebi um banco muito bom – recebi um banco espetacular", afirmou Leão em coletiva com jornalistas nesta quarta-feira (29).
“É um banco melhor no sentido de mais diversificado, mais balanceado, mais evoluído com benefícios de sistemas, processos e modelos.”
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Leão apresentou nesta quarta-feira sua última divulgação de resultados como CEO do Santander Brasil.
Em março, o banco anunciou que o executivo deixaria o cargo por decisão própria. Ele será substituído por Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3, no início do segundo semestre; Finkelsztain deve liderar a próxima divulgação de resultados do segundo trimestre, programada para julho.
Os anos de Mario Leão à frente do banco foram marcados por um período de adversidade macroeconômica após um ciclo de forte crescimento sob o comando de Sergio Rial, que foi presidente entre 2016 e 2021.
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Rial liderou uma agenda de forte avanço do Santander em linhas de maior risco e rentabilidade, como o crédito para pessoa física de baixa renda e em “mar aberto”, buscando clientes com os quais o banco não tinha relacionamento prévio.
A carteira de crédito saltou 77,4% entre 2015 e 2021, passando de R$ 261 bilhões para R$ 463 bilhões. A estratégia levou o ROE do banco, seu principal indicador de rentabilidade, da faixa dos 13% em 2016 para 21% em 2021.
A chegada de Leão ao comando do banco, em 2022, coincidiu com uma inversão de ciclo macroeconômico, com o aumento expressivo da inadimplência da pessoa física no pós-pandemia, especialmente da baixa renda.
A rentabilidade do banco chegou a cair para 8,3% no patamar mínimo no quarto trimestre de 2022, e uma das principais metas do banco desde então vem sendo a retomada do patamar de 20%. Atualmente o ROE do Santander Brasil está em 16%.
“Estou no Santander desde 2015, participei do ciclo de crescimento anterior e fizemos isso com louvor até 2021. Então não é que eu recebi um problema, mas tive sim um desafio com esse novo ciclo de crescimento”, disse.
Leão foi diretor executivo de banking e corporate finance e vice-presidente executivo de corporate antes de assumir como CEO.
O Santander Brasil não fornece guidance, mas a expectativa anunciada é que a recuperação dos 20% de ROE patamar seja alcançada ao longo de 2028. No primeiro trimestre de 2026 o indicador registrou queda de 1,5 ponto percentual frente ao mesmo período de 2025, depois de dois resultados em tendência de alta.
Leão classificou o movimento como sazonal. “Esperamos que o movimento se inverta ao longo dos próximos trimestres para que possamos tocar o patamar dos 20% talvez até antes mesmo de 2028″, afirmou.
Embora não tenha alcançado a rentabilidade do ciclo anterior, Leão projeta que o lucro anualizado do banco em 2026 irá superar o resultado do último ano da gestão passada, que foi de R$ 16,3 bilhões. No primeiro trimestre deste ano, o banco registrou lucro de R$ 3,79 bilhões.
“Este ano vamos ter um lucro anual maior que em 2021. E eu me sinto ‘dono’ do lucro em 2026 tanto quanto nos anos passados [em que esteve à frente do banco em todo o período]”, afirmou. “Muito do que deve acontecer daqui para frente também tem meu DNA.”
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