Bloomberg Línea — A Rede Américas, sociedade dividida igualmente entre Dasa (DASA3) e Amil para reunir as operações hospitalares das duas empresas, registrou lucro líquido de R$ 38 milhões no primeiro trimestre de 2026, a primeira contribuição positiva da aliança desde sua criação, em abril de 2025. A unidade acumulava prejuízo de R$ 186 milhões nos últimos 12 meses até o fechamento do trimestre.
O desempenho da joint venture, uma das maiores exposições do balanço do grupo dono dos laboratórios Lavoisier, Pasteur e Delboni, é peça central na tese da nova Dasa.
Registrada no balanço a R$ 4,65 bilhões, a aliança com a Amil custou à companhia uma queda de 43% na receita consolidada anual, em troca de uma plataforma hospitalar de maior escala, cujo retorno o mercado ainda aguardava.
“A Rede Américas já contribui para o nosso resultado do trimestre. Já é uma realidade no primeiro trimestre do ano”, afirmou o presidente da Dasa, Rafael Lucchesi, em entrevista à Bloomberg Línea.
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A operação hospitalar da Rede Américas teve receita bruta de R$ 3,4 bilhões no trimestre e margem Ebitda de 14,2%, ante 5,9% no quarto trimestre de 2025, um período afetado por ajustes contábeis pontuais.
A Dasa reconhece metade do resultado via equivalência patrimonial: R$ 18,9 milhões entraram no resultado consolidado do primeiro trimestre.
“O time de lá está trabalhando muito forte para a gente conseguir avançar operacionalmente e ter uma boa contribuição em 2026”, disse Lucchesi.
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Indagado sobre um eventual plano de listagem da Rede Américas em bolsa ou alguma forma de reorganização societária envolvendo a Amil, o CEO da Dasa descartou movimentos no curto prazo.
“Não tem nenhum plano sobre isso, nem vou comentar a questão de descartar ou não. Não tem nenhuma frente em relação a isso nesse momento”, afirmou. “O foco realmente é a operação das empresas, os avanços operacionais.”
O tema aparece em um setor que viu recentemente o Bradesco listar uma holding de saúde, em movimento que sinalizou interesse de investidores em ativos hospitalares organizados como veículos próprios.
O Ebitda do trimestre, de R$ 573 milhões no primeiro trimestre, superou em 8% a estimativa do consenso Bloomberg, de R$ 531 milhões. O número representa alta de 28% em base comparável, com margem de 25,8%, uma expansão de 2,7 pontos percentuais.
A receita líquida consolidada da companhia, de R$ 2,22 bilhões, ficou acima da projeção de R$ 2,16 bilhões do consenso Bloomberg.
A vertical de Diagnósticos, núcleo estratégico após a reorganização concluída em 2025, cresceu 15,3% em receita bruta, para R$ 2,2 bilhões. O Hospital da Bahia avançou 17,4%, com taxa de ocupação de 82,4%.
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A Dasa fechou o trimestre com lucro líquido de R$ 9,2 milhões em operações continuadas, revertendo o prejuízo de R$ 110,7 milhões do mesmo período do ano passado, abaixo dos R$ 70 milhões estimados pelo BTG Pactual, que mantém recomendação Neutra para a ação, em contraste com a indicação de compra que a casa dá a pares como Rede D’Or (RDOR3), Fleury (FLRY3) e Mater Dei (MATD).
A alavancagem da Dasa encerrou o trimestre em 2,99x dívida líquida sobre Ebitda, ante 4,17x no mesmo período do ano passado.
“Nossa dívida, quando você olha, caiu pela metade”, disse Lucchesi. “Para frente, a gente vê muito boas avenidas de crescimento em receita: premium, atendimento domiciliar e B2B”, destacou, sem antecipar novidades.
As três avenidas cresceram acima de 15% no trimestre e puxaram a média de Diagnósticos para cima, segundo Lucchesi. O segmento premium reúne marcas como Alta Excelência Diagnóstica, Delboni Auriemo e Lavoisier, voltadas a clientes de planos de saúde top de linha e atendimento particular, com ticket médio mais alto.
A ação da Dasa fechou em R$ 3,14 nesta terça-feira (12), com queda de 29,91% no ano, mas alta de 76,40% em 12 meses.
Peso dos juros elevados
Apesar da virada da aliança hospitalar, o resultado consolidado tem pontos que o mercado costumar acompanhar nos próximos trimestres.
O resultado financeiro líquido consumiu R$ 300 milhões no trimestre, mais da metade do Ebitda. A alavancagem para fins de covenant encerrou o primeiro trimestre em 2,88x, ante teto de 4,0x previsto nas escrituras das debêntures.
Lucchesi afirmou que o indicador “não é uma preocupação de curto prazo”, mesmo em cenário de juros elevados por mais tempo. “Seguimos com uma disciplina de alocação de capital muito forte ainda em 2026. A nossa prioridade é caixa e desalavancagem da companhia.”
A perda esperada com recebíveis subiu 78% em base comparável, para R$ 31 milhões, com o contas a receber crescendo 13% no trimestre, acima da expansão da receita.
O CEO atribuiu o movimento a dois pagadores em que a companhia optou por provisionar preventivamente. “Por risco, preferiu provisionar e ficar bem coberto. Por isso a gente classifica como pontual neste primeiro trimestre”, disse.
Sobre o ciclo de conversão de caixa, que caiu 11 dias mas conviveu com expansão de recebíveis, Lucchesi apontou sazonalidade. “Março teve receita muito forte, comparado com o ano anterior, dada a calendarização do carnaval. A carteira de recebíveis maior é transitória e vai ser convertida em caixa nos próximos períodos”, afirmou.
A companhia também não divulgou o NPS, indicador central em negócio orientado por experiência do paciente, após troca de plataforma de coleta.
“A gente não tem certeza se vai ser só esse trimestre, ou nesse e mais o próximo, que a gente ainda fica sem divulgar”, disse o CEO, sem se comprometer com prazo de retomada.
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