Bloomberg — O conglomerado brasileiro de aço e energia CSN planeja se desfazer de ativos-chave para reduzir seu pesado endividamento, à medida que as altas taxas de juros comprimem o financiamento e pesam sobre os investimentos.
O grupo, controlado pela família bilionária Steinbruch, contratou assessores para vender uma participação significativa na CSN Infraestrutura — que possui portos, ferrovias e uma empresa de logística —, assim como o controle de sua unidade de cimento.
A empresa pretende assinar os acordos no segundo semestre do ano.
“Enfrentamos o desafio de taxas de juros estratosféricas e da concorrência de produtos importados de forma desorganizada, o que compromete fortemente o investimento e o crescimento da empresa”, disse o CEO, Benjamin Steinbruch, a investidores em uma transmissão pela internet na quinta-feira (15).
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A Companhia Siderúrgica Nacional discute a realização de ofertas públicas iniciais de empresas do grupo como uma opção de desalavancagem há anos, mas desta vez estabeleceu um objetivo concreto de reduzir entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões — cerca de metade de sua dívida — a partir de 2026.
A medida reduziria os custos de financiamento para investimentos em áreas prioritárias, incluindo mineração, infraestrutura e energia.
A CSN (CSNA3) planeja elevar a produção de minério de ferro para até 65 milhões de toneladas por ano até 2030, ante o limite superior de sua projeção para 2026-27 de 47,5 milhões de toneladas.
O grupo também busca um parceiro estratégico para ajudá-lo a modernizar o negócio de aço, a origem do conglomerado.
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Os títulos em dólar se valorizaram ao longo de toda a curva após o anúncio ao mercado, com papéis com vencimento em 2030 subindo mais de 5 centavos por dólar, segundo dados da Trace.
“Apesar do caráter cíclico do negócio do grupo, acreditamos que a rica base de ativos da CSN oferece um caminho crível de desalavancagem e espaço para compressão de spreads”, escreveu Cristian Fera, analista da KNG Securities, em uma nota. Mas o risco de crédito permanecerá elevado até que haja uma “entrega clara da desalavancagem”, afirmou a nota.
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