Bloomberg — A Votorantim e a Huaxin Cement estão entre as empresas em negociações para adquirir a unidade de cimento da CSN (CSNA3), segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.
O preço de compra pode chegar a US$ 3 bilhões, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas por estarem discutindo informações confidenciais.
A CSN está trabalhando com o Morgan Stanley na venda, informou a empresa na quinta-feira (12). O negócio está em estágios iniciais e pode acabar não acontecendo, disseram as pessoas.
A Votorantim e sua unidade de cimento não quiseram comentar. A CSN e a Huaxin não responderam a pedidos de comentários.
A Companhia Siderúrgica Nacional, como a empresa é formalmente conhecida, está sob pressão financeira, já que sua dívida líquida aumentou 11%, para R$ 41,2 bilhões durante o quarto trimestre, elevando o índice de alavancagem líquida da empresa para 3,47 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).
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O aumento foi um “evento pontual”, disse o presidente Benjamin Steinbruch a investidores e analistas durante uma teleconferência na quinta-feira.
A empresa, controlada pela família bilionária Steinbruch, contratou assessores para vender uma participação significativa em seu braço de infraestrutura e logística, bem como o controle de seu negócio de cimento.
O objetivo é fechar os negócios no terceiro trimestre, visando arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, quase metade do endividamento líquido atual.
A CSN pretende usar ações de sua unidade de cimento como garantia para um empréstimo, disse o diretor financeiro Marco Rabello em uma teleconferência com investidores. Embora ele não tenha especificado o valor do empréstimo, ele mencionou reportagens que mostravam números entre US$ 1,3 bilhão e US$ 1,5 bilhão.
Para obter a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade), a Votorantim precisaria formar um consórcio com outras empresas, no qual a Votorantim manteria alguns ativos onde tem menor presença de mercado, enquanto parceiros deteriam participações em negócios onde a companhia tem presença significativa, disse uma das pessoas. A Huaxin provavelmente não seria parte desse consórcio, acrescentou.
A gigante chinesa Huaxin Cement entrou no mercado brasileiro no final de 2024 ao adquirir a Embu S.A. Engenharia e Comércio por US$ 186 milhões. A operação incluiu quatro pedreiras no estado de São Paulo, focadas na produção de agregados para construção civil.
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