Controladora da Gol, Abra vê IPO em 2026 como ‘muito difícil’ com mercado volátil

Em entrevista à Bloomberg News, CFO Manuel Irarrazaval diz que grupo está preparado para adiar os planos de abrir capital neste ano; Abra é a controladora da Gol e da colombiana Avianca

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Bloomberg — A Abra Group está preparada para adiar os planos de abrir o capital neste ano com a volatilidade dos preços dos combustíveis abalando os mercados, o que dificulta a realização de um IPO nos Estados Unidos por companhias aéreas.

A controladora da colombiana Avianca e da brasileira Gol (GOLL54) vai esperar melhores condições de mercado para abrir o capital, já que não enfrenta necessidades imediatas de financiamento, afirmou o diretor financeiro Manuel Irarrazaval em entrevista à Bloomberg News.

A empresa está com a documentação pronta para o IPO e tem despertado interesse de investidores, acrescentou.

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“Com a situação dos combustíveis como está hoje, e sem clareza sobre quanto tempo isso vai durar ou como será resolvido, é muito difícil fazer um IPO de uma companhia aérea, ainda mais na América Latina”, afirmou Irarrazaval na segunda-feira (19), à margem do ALTA Airline Leaders Forum, na Cidade do México.

Leia também: Latam afirma que custos elevados com combustível devem restringir o crescimento

O mercado de IPOs dos EUA ficou aquém das expectativas para o período tradicionalmente movimentado que começa em setembro, com juros mais altos e a volatilidade das ações ligadas à inteligência artificial mantendo potenciais emissores fora do mercado.

Novas listagens nas bolsas dos EUA desde o fim de agosto captaram apenas US$ 2,5 bilhões, excluindo empresas de cheque em branco e outros veículos financeiros, ante US$ 9,8 bilhões no mesmo período do ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Companhias aéreas de toda a região enfrentam custos elevados de combustível em meio aos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, embora a demanda por viagens continue resiliente.

Antes das tensões, executivos haviam apontado uma possível oferta de ações como forma de reduzir a dívida e simplificar a estrutura do grupo.

As companhias aéreas da Abra repassaram parte desses custos por meio de tarifas mais altas, sem observar impacto significativo sobre a demanda, acrescentou Irarrazaval.

Essa demanda levou o grupo a continuar ampliando a presença regional por meio da chilena Sky Airline.

Integração da Sky

A Abra, que negociou durante vários anos a entrada da Sky no grupo, obteve as aprovações regulatórias necessárias e faz as verificações finais antes de concluir a transação.

O negócio dá à Abra uma presença relevante no Chile e reforça a atuação no Peru, além de abrir espaço para ampliar os produtos da Sky e adaptar a oferta à rede mais abrangente do grupo, afirmou Irarrazaval.

Com a integração, a Sky poderá avançar além das origens como companhia de baixo custo, seguindo uma estratégia já adotada por outras empresas da Abra. A Gol acrescentou aeronaves de fuselagem larga, rotas de longa distância e a classe executiva Insignia, também oferecida pela Avianca.

A ampliação da oferta da Sky também tornaria a Abra mais atraente para companhias aéreas parceiras globais, afirmou Irarrazaval. Parceiros comerciais como a Air France poderiam conectar passageiros por toda a rede da Abra sem ficar restritos a um produto de baixo custo.

A Sky tem cerca de 35 aeronaves, ante aproximadamente 350 aviões no conjunto da Abra.

O objetivo final da Abra é fazer com que Avianca, Gol e Sky operem como partes de uma rede aérea integrada enquanto preservam as marcas individuais. Os passageiros poderiam fazer reservas e conexões entre as companhias com produtos e serviços consistentes, acrescentou Irarrazaval.

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