Bloomberg — A Mastercard ficou com um prejuízo bilionário depois que a liquidação do Banco Master deixou a empresa com uma conta a pagar aos varejistas que processaram transações feitas com cartões da antiga fintech do banco.
A Mastercard foi envolvida no caso por ser a bandeira dos cartões emitidos pela fintech do Banco Master, a Will Financeira, segundo pessoas com conhecimento do assunto que falaram com a Bloomberg News.
A empresa agora busca reembolso desses valores junto ao liquidante nomeado pelo Banco Central, disseram as pessoas, que pediram anonimato por não terem autorização para falar publicamente.
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Os clientes do Will Bank tinham até R$ 5 bilhões em compras pendentes nos cartões da fintech quando o banco entrou em colapso, segundo essas pessoas.
A Mastercard acabou arcando com cerca de metade desse montante — equivalente às transações realizadas nos primeiros 30 dias após a liquidação do Banco Master —, de acordo com duas das pessoas.
A Mastercard já efetuou os pagamentos exigidos pela regulamentação vigente, em grande parte com recursos próprios, e agora aguarda que o liquidante repasse os valores pagos pelos clientes do Will Bank, informou a empresa em comunicado por e-mail, sem comentar além disso.
Um representante do Banco Central, que nomeou o liquidante do Will Bank, não respondeu imediatamente a pedido de comentário.
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O impacto para a Mastercard representa apenas uma parcela relativamente pequena das consequências da quebra do Banco Master.
Antes considerado um destaque no setor financeiro brasileiro, o banco colapsou em novembro em meio a acusações de fraude, e seu ex-presidente e acionista, Daniel Vorcaro, firmou um acordo de colaboração com as autoridades brasileiras após ser preso duas vezes.
Para compensar parte das perdas, a Mastercard (MA) também pode acessar ativos que a fintech havia oferecido como garantia, incluindo ações do Banco de Brasília (BRB) e da Westwing, duas empresas ligadas ao Banco Master.
Parte das ações recebidas do BRB (BSLI3),já foi vendida, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto.
A Mastercard recebeu 6,9% do capital do banco, que enfrenta questionamentos sobre sua situação financeira devido a negócios realizados com o Banco Master.
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O Will Bank foi adquirido pelo Banco Master em 2024 e operava um negócio de cartões de crédito voltado à população de menor renda.
Nos meses que antecederam a quebra, a Mastercard começou a limitar a atuação da fintech em sua rede e acabou bloqueando o Will Bank de seus sistemas em janeiro por falta de garantias, segundo uma das fontes. A liquidação da fintech ocorreu no dia seguinte.
Nas semanas seguintes, credenciadoras no Brasil — empresas que permitem aos varejistas processar pagamentos — passaram a defender que a Mastercard deveria ser responsável por mais do que os primeiros 30 dias de transações não liquidadas, segundo algumas das pessoas ouvidas.
Uma nova regra do Banco Central torna mais claro qual entidade é responsável pelas garantias oferecidas pelas bandeiras de cartão em caso de inadimplência de um emissor.
Executivos da Mastercard, porém, argumentam que a empresa ainda não deveria estar sujeita à nova regulamentação, já que as companhias têm até maio para se adequar, segundo uma das pessoas familiarizadas com o assunto.
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