Casas Bahia põe executiva que liderou recuperação da Americanas para negociar dívida

Camille Faria, sócia da Althia Partners, substitui Mateus Tessler após a Justiça de São Paulo deferir o processamento do pedido de recuperação judicial da varejista, que declarou dívida de R$ 17,3 bilhões

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Bloomberg Línea — O Grupo Casas Bahia (BHIA3) entregou a Camille Faria, sócia da Althia Partners, o comando das negociações com credores e da condução do plano de recuperação judicial, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (23).

A mudança vem depois que a Justiça de São Paulo deferiu, na quarta-feira (21), o processamento do pedido apresentado em agosto. A executiva liderou a recuperação judicial da Americanas (AMER3) e passa a dividir a tarefa com a diretoria da companhia, informou a empresa.

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A dona das marcas Casas Bahia e Ponto, uma das maiores redes de eletrodomésticos, eletrônicos e móveis do país, substitui Mateus Tessler, a quem atribui papel importante na estruturação do plano.

Segundo a companhia, a transição foi consensual, e Tessler seguirá contribuindo de forma pontual. A consultoria Alvarez & Marsal permanece no processo, com apoio à estruturação e à modelagem do plano.

A varejista afirma que a troca não altera a estratégia de reestruturação financeira e conta com o apoio do conselho de administração e da Mapa Capital, sua acionista controladora.

A gestora assumiu o controle em 2025, ao converter debêntures (títulos de dívida) em ações.

Faria também participou da reestruturação da Oi e acumula trajetória no mercado financeiro e de capitais, de acordo com a companhia.

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O grupo reafirma o compromisso de dialogar com os credores para construir uma solução equilibrada e sustentável para o negócio. A tarefa envolve uma dívida declarada de R$ 17,3 bilhões, dos quais R$ 16,4 bilhões são quirografários, ou seja, sem bens dados em garantia.

Prazos para o plano

A juíza Taina Maria Leonardo De Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, reconheceu que a varejista cumpre os requisitos legais, mas deu 30 dias para a entrega de documentos pendentes. Se não cumprir o prazo, a companhia pode perder a autorização.

Entre as pendências estão demonstrações de fluxo de caixa de 2023 de quatro empresas do grupo, projeções financeiras individualizadas e a atualização da lista de credores. A decisão manteve a suspensão das execuções contra a rede por 180 dias, contados desde 19 de agosto.

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O Ministério Público de São Paulo avaliou, em manifestação de 15 de outubro, que o grupo demonstrou atividade e viabilidade econômica.

Uma perícia da ACFB Administração Judicial verificou o funcionamento de 735 das 744 lojas físicas, de 25 dos 29 centros de distribuição e da fábrica de móveis Bartira.

A Lei de Recuperação Judicial e Falências dá à empresa 60 dias, a partir da publicação da decisão, para apresentar o plano detalhado, que depois precisa do aval dos credores. A negociação desse acordo agora fica sob a liderança de Camille Faria.

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