BTG Pactual suspende operações com Pix após identificar desvio de cerca de R$ 100 mi

Maior parte do valor já foi recuperada, de acordo com uma fonte ouvida pela Bloomberg Línea; segundo o banco, não houve acesso às contas dos clientes

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Bloomberg Línea — O banco BTG Pactual (BPAC11) decidiu suspender as operações com o Pix neste domingo (22) depois de identificar movimentações atípicas em operações relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos, em um novo caso de ciberataque contra uma instituição financeira brasileira.

O ataque teria desviado cerca de R$ 100 milhões, de acordo com uma pessoa com conhecimento do assunto que falou à Bloomberg Línea.

A maior parte do valor já teria sido recuperada, e as equipes trabalhavam para recuperar a quantia restante, entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões, segundo a pessoa, que pediu anonimato por discutir informações privadas.

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O banco afirmou que não houve acesso às contas dos clientes no episódio e que “nenhum dado de correntista foi exposto”, segundo posicionamento enviado à Bloomberg Línea neste domingo.

O Banco Central não se manifestou sobre o caso.

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O BTG Pactual afirmou que as atividades suspeitas foram identificadas pela manhã e que decidiu suspender as operações do Pix “por medida de precaução” enquanto investiga o caso.

O incidente é o mais recente em uma sequência de episódios de ataques cibernéticos contra empresas que atuam no setor financeiro.

Em julho do ano passado a prestadora de serviços financeiros C&M Software, que integra bancos ao sistema de pagamentos do Banco Central, sofreu um um ataque à sua infraestrutura tecnológica em uma ação que levou a um roubo estimado em mais de de R$ 1 bilhão na época.

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Depois, em agosto, a Sinqia, empresa de banking as a service, que oferece serviços de tecnologia para o setor, também foi alvo de uma ação de cibercriminosos no ambiente Pix.

A companhia não detalhou na época quantos clientes foram afetados, nem informou os valores desviados na ação.

Depois dos episódios, o Banco Central adotou medidas para que os participantes do sistema do Pix adotassem mecanismos para identificar movimentações atípicas em tempo real.

Mais recentemente, no fim de janeiro, o Banco do Nordeste também identificou um incidente cibernético na infraestrutura das transações do Pix, e suspendeu as operações diante do caso.

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