Bloomberg Línea — A BMW aposta na diversificação do portfólio para crescer no Brasil, em uma estratégia que inclui outras marcas do grupo – como MINI e Motorrad, de motocicletas de alta cilindrada.
A montadora alemã concluiu no ano passado um cronograma de 18 lançamentos de novos modelos no país e reserva outros produtos para 2026, em um momento de competição acirrada com a entrada de novas marcas chinesas no país.
“A oferta do mercado premium cresceu no Brasil, mas nós temos mais de 30 anos no país. Olhamos o que a concorrência está fazendo, mas sabemos muito bem o valor dos nossos carros”, afirmou a presidente e CEO do grupo BMW Brasil, Maru Escobedo, em entrevista à Bloomberg Línea, após um evento recente em São Paulo.
Um dos lançamentos previstos para este ano é o iX3, modelo 100% elétrico que promete uma nova geração de equipamentos e tecnologias.
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Com as marcas BMW, MINI e BMW Motorrad, o grupo alemão encerrou 2025 na liderança de vendas do segmento premium no país pelo sétimo ano consecutivo, com um total de 16.865 unidades emplacadas. O desempenho representa um crescimento de 4,1% em relação a 2024.
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De acordo com a BMW, os modelos X1 e Série 3, produzidos no complexo de Araquari (SC), encerraram o ano na liderança geral no segmento premium no país.
“O mercado muda todo ano com cada lançamento que chega. Nós precisamos estar atentos aos modelos lançados também pela concorrência, o que nos ajuda a construir um posicionamento e uma estratégia de preço”, disse Escobedo.
Somados, os selos BMW e MINI representaram 34,6% de participação do mercado premium no ano passado, destacou a executiva.
No segmento 100% elétrico, o grupo cresceu 11% em 2024, sendo 1.477 unidades emplacadas das duas marcas no período.
O X5 híbrido plug-in foi destaque para a BMW no ano passado, com um crescimento de 62% das vendas, totalizando 1.267 unidades emplacadas. “Com o X5 híbrido, estamos indo muito bem no segmento de eletrificados”, afirmou Escobedo.
A executiva reforçou a importância da diversificação do portfólio para manter a competitividade. “Temos, no Brasil, todos os carros que são vendidos na Alemanha, isso reforça nosso posicionamento.”
Já as vendas de esportivos BMW M e M Performance registraram um avanço de 9% em 2025, para 1.677 unidades. O segmento de alto luxo - BMW X7 e i7 - também teve avanço.
Ela esclarece que há diferentes estratégias para cada modelo. O X1, por exemplo, é o carro mais vendido da BMW. Já o esportivo M2 CS chegou ao Brasil com apenas 30 unidades e preço de quase R$ 1 milhão.
“É um modelo mais nichado, por ser um carro que pode ser usado na rua e na pista. É específico para alguns clientes”, diz.
Financiamentos
Escobedo relatou que o serviço financeiro do grupo foi uma importante ferramenta para impulsionar as vendas.
Conforme a montadora, o braço de financiamentos bateu recorde histórico de volume de negócios em 2025, alcançando R$ 2,5 bilhões no varejo, alta de 3,9% em relação ao ano anterior.
Considerando atacado e varejo, a carteira superou R$ 4,1 bilhões, aumento de 10,3% na mesma base de comparação.
“Para MINI e Motorrad, fechamos 2025 com 42% de financiamentos. Temos uma estratégia muito focada para que todos os carros que financiamos fiquem dentro do grupo. Oferecemos taxas e condições especiais para quem comprar carro com nossa financeira”, diz.
A MINI reportou crescimento em 2025, de 3,4% sobre o ano anterior, totalizando 1.591 unidades vendidas. Segundo o grupo, o destaque ficou para os modelos elétricos e para a linha de esportivos John Cooper Works.
Perspectivas
Para 2026, ano de eleições e Copa do Mundo, Escobedo afirma que o grupo deve focar em estratégia. “Nós não controlamos fatores como eleições. Todos os anos temos desafios, precisamos nos concentrar nas nossas marcas.”
Ela acrescentou que a estratégia de preço do grupo é global. “Normalmente, olhamos todo o segmento premium e tentamos estar posicionados para garantir nosso mercado.”
Atualmente, a BMW tem em curso um programa de investimentos de cerca de R$ 1,1 bilhão para o período entre 2025 e 2028 no Brasil.
O objetivo do programa é produzir novos modelos e desenvolver tecnologias globais.
“Vamos avaliar se faz sentido produzir um carro [100%] elétrico por aqui”, disse Escobedo. Hoje, a montadora produz o X5 híbrido plug-in na planta catarinense.
“Temos flexibilidade de produção no Brasil, a depender da demanda”, disse.
Segundo a executiva, uma parte do programa de investimentos será destinada para o X5, outra para engenharia e o restante para novas tecnologias dentro da fábrica.
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