Bershka estreia no Brasil com filas e já planeja abrir loja no Rio até o final do ano

Marca da Inditex voltada ao público jovem abriu sua primeira unidade nesta quarta-feira em São Paulo, no MorumbiShopping, deve inaugurar a segunda loja no país no final do ano, segundo fonte ouvida pela Bloomberg Línea

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Bloomberg Línea — A Bershka, marca do grupo espanhol Inditex, dona da Zara, inaugurou sua primeira loja no Brasil nesta quarta-feira (18) e deve abrir uma unidade no Rio de Janeiro no quarto trimestre deste ano, segundo pessoa com conhecimento do assunto ouvida pela Bloomberg Línea, que falou sob anonimato por não ter autorização para comentar publicamente sobre a companhia.

O endereço ainda não foi confirmado, mas o BarraShopping, na zona oeste da capital fluminense, é apontado como um dos nomes mais fortes por ser um empreendimento da Multiplan (MULT3), mesma administradora que abriga a primeira loja da marca no Brasil, aberta no MorumbiShopping, em São Paulo.

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A Multiplan não comenta o assunto, pois os contratos com marcas internacionais incluem cláusulas de confidencialidade, e as confirmações costumam ocorrer apenas às vésperas da inauguração ou se dão apenas quando as obras já são visíveis no espaço.

Antes da abertura ao público, formou-se fila do lado de fora da loja no MorumbiShopping, que realizava simultaneamente o lançamento de sua expansão. A unidade recebeu um grupo de 50 influenciadores de moda e lifestyle antes de liberar o acesso aos consumidores.

A Inditex projeta lotação acima da média nas próximas semanas, em razão da base de seguidores construída pela marca no e-commerce e nas redes sociais, sobretudo entre o público da geração Z.

A unidade de 1.000 m² tem coleções separadas por gênero (feminino à esquerda, masculino à direita), e área de acessórios com tênis, botas, sandálias, bolsas, carteiras, capas de celular e produtos de beleza.

Dentro da loja, opera um Assisted Checkout Counter, balcão de autoatendimento com múltiplos terminais e leitura automática de itens, sistema presente também nas lojas Zara e Pull&Bear do grupo e que reflete a aposta da Inditex em reduzir filas em aberturas com alta demanda.

Os quatro principais polos de confecção da Ásia (China, Vietnã, Camboja e Bangladesh) concentram a maior parte da cadeia de fornecimento do fast fashion global, e é de lá que vêm as peças da primeira loja da Bershka no Brasil, segundo as etiquetas consultadas na abertura.

Os preços ficam abaixo dos praticados por outras marcas do grupo em categorias equivalentes, mas acima das plataformas asiáticas como Shein e Shopee, que operam no Brasil com valores mais baixos: jaqueta jeans Bershka por R$ 249, vestido/top preto por R$ 159, tênis por R$ 319 e kit de três pares de meias tube sock por R$ 85.

O posicionamento coloca a Bershka em um mapa global disputado também por Uniqlo e Muji, duas redes japonesas com expansão acelerada em praças como Nova York e Londres, mas ainda ausentes no Brasil.

As marcas não concorrem pelo mesmo consumidor central: a Uniqlo aposta em básicos com tecnologia de tecido para um público amplo, enquanto a Muji, cujo nome significa “produto de qualidade sem marca” em japonês, vende minimalismo funcional sem logotipo nas peças, com apelo ao perfil mais maduro.

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O que as aproxima da Bershka é a disputa pelo mesmo espaço físico nos shoppings e a presença simultânea no guarda-roupa de consumidores jovens urbanos que transitam entre estilos e se expressam em plataformas como TikTok.

O nome Bershka não tem significado literal. É uma palavra inventada pela Inditex em 1998, escolhida pela sonoridade e impacto visual, o que explica as variações gráficas nas sacolas de papel da loja, onde a marca aparece abreviada como “Bsk” em fundo vermelho.

A entrada no Brasil foi precedida por uma estratégia de audiência nas redes sociais com influenciadores locais e parcerias de imagem, entre elas, o lutador Kron Gracie, filho de Rickson e neto de Hélio Gracie, e Marina Sena, cantora de pop com apelo à geração Z, na véspera da abertura foi a atração de uma festa da marca.

A operação integra um movimento mais amplo da Inditex. A marca já opera em dezenas de mercados, com maior concentração na Europa e na América Latina, onde o México reúne o maior número de unidades do continente, seguido de Colômbia e Venezuela.

O Brasil, apesar do tamanho do mercado consumidor e da presença consolidada da Zara, bandeira principal do grupo no país, ficou fora da rede física da Bershka por anos, chegando depois de vizinhos de menor peso econômico na região.

Na teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025, o diretor financeiro Andrés Sánchez confirmou a abertura de lojas da Bershka no Brasil e nos EUA em 2026. O CEO Óscar García Maceiras atribuiu o desempenho do período em parte aos resultados da marca jovem, citando preços e velocidade de renovação das coleções.

A chegada da Bershka ocorre em um momento em que o varejo de moda global acelera a disputa pelo consumidor brasileiro. A H&M confirmou sete novas unidades para 2026 no país, entre elas o RioSul Shopping e o NorteShopping, no Rio de Janeiro, além de unidades em Porto Alegre e Sorocaba. As marcas atuam em segmentos distintos, mas disputam parte do mesmo consumidor nas praças onde operam juntas.

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