BC decreta liquidação da Reag Trust DTVM um dia após operação da PF mirar fundador

Banco Central apontou violações às normas do sistema financeiro, um dia depois de a Polícia Federal cumprir mandado contra João Carlos Mansur em nova fase da Operação Compliance Zero

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Bloomberg Línea — O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nome adotado pela Reag Trust DTVM após mudança de denominação.

A decisão foi motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do sistema”, segundo a nota do BC.

A medida ocorre um dia após a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. As investigações concentram-se em esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e fundos administrados pela Reag.

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A Reag foi fundada por João Carlos Mansur, que foi alvo de mandados de busca e apreensão na quarta-feira (14).

As investigações indicam que o Banco Master concedia empréstimos a empresas que aplicavam recursos em fundos administrados pela gestora.

Os recursos circulavam entre fundos por meio de transações sequenciais. A cada movimentação, os ativos eram reavaliados, com registro de valorizações sem correspondência com a realidade do mercado. Documentos da investigação mostram que uma dessas operações apresentou valorização de 10.502.205%.

O BC informou que continuará a apurar responsabilidades conforme suas competências legais.

O resultado das apurações poderá levar à aplicação de sanções administrativas e comunicações a outras autoridades competentes.

Os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficam indisponíveis, conforme determina a legislação.

O Banco Master teve liquidação decretada em novembro, depois que o BC identificou cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes. A descoberta impediu a venda da instituição ao BRB (Banco de Brasília).

Na última terça-feira (13), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso do Banco Master como possívelmente a maior fraude bancária da história do país.

“O caso inspira muito cuidado, podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país”, disse o homem-forte do governo Lula na economia.

Passados quase dois meses desde a liquidação do Banco Master em 18 de novembro, investidores que compraram CDBs em busca de taxas muito acima da média de mercado, a despeito dos riscos, não receberam o ressarcimento do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Não há um cronograma.

O pagamento depende da conclusão da auditoria da lista de credores elaborada pela empresa EFB Regimes Especiais, liquidante nomeada pelo BCl.

Os investimentos em CDBs do Master tiveram rentabilidade congelada desde a data da liquidação, sem atualização pela inflação ou pela Selic no período de espera.

Sediada em São Paulo, na região da Faria Lima, a instituição está classificada no segmento S4 da regulação prudencial e representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

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A empresa foi mencionada anteriormente na Operação Carbono Oculto, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital. Na ocasião, a Reag negou irregularidades.

Na segunda fase da Operação Compliance Zero, a PF cumpriu 42 mandados de busca, apreensão e prisão. O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens dos investigados.

Procurada pela Bloomberg Línea, a Reag Trust ainda não se pronunciou sobre a liquidação.

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