BBVA ajusta tarifas cobradas dos clientes conforme exposição ao aquecimento global

Nova estrutura de tarifas é implementada em um momento em que a Europa enfrenta calor recorde, provocando transtornos em todo o continente que afetam escolas, empresas e o transporte

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Bloomberg — O BBVA começou a ajustar o que cobra dos clientes por empréstimos com base no grau de exposição deles aos efeitos físicos do aquecimento global.

O segundo maior banco da Espanha inicia a iniciativa com clientes corporativos e pretende ampliá-la para pessoas físicas, disse em entrevista à Bloomberg News Elvira Calvo, diretora de transformação de negócios em sustentabilidade do BBVA.

Por enquanto, os ajustes de preço são “modestos”, afirmou. Mas, com dados e métodos de cálculo mais precisos, “esperamos calibrá-los de forma progressiva”.

A nova estrutura de tarifas é implementada em um momento em que a Europa enfrenta calor recorde, provocando transtornos em todo o continente que afetam escolas, empresas e o transporte. No Reino Unido, o gabinete do prefeito de Londres afirmou que o custo econômico do calor extremo já chega à casa dos bilhões de libras e acrescentou que será necessário contar com investidores privados para ajudar a financiar as medidas necessárias.

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O calor é um risco “crescente e muitas vezes silencioso”, disse Calvo. Enchentes e incêndios florestais costumam provocar danos mais visíveis, mas o calor extremo também pode ser letal e, por isso, representa um dos “riscos climáticos mais relevantes”, afirmou.

Inicialmente, o BBVA concentra a iniciativa em clientes dos setores de agricultura, mercado imobiliário e lazer, além de empresas de serviços públicos e infraestrutura, disse Calvo.

O risco associado a cada ativo é determinado por características como “o projeto da edificação ou sua elevação”, fatores que “podem influenciar significativamente sua vulnerabilidade”, afirmou.

O BBVA também desenvolve modelos para identificar diferentes riscos climáticos, combinando dados próprios e públicos e utilizando inteligência artificial para “preencher lacunas de dados”, porque “esse tipo de informação — como características específicas das edificações — é importante, mas nem sempre fácil de obter”, disse Calvo.

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Na Europa, o continente que aquece mais rapidamente, as autoridades monitoram como os bancos estão administrando os riscos associados ao aumento das temperaturas.

A Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês) incluirá pela primeira vez riscos de transição e riscos físicos em seus testes de estresse de rotina. No momento, o foco está nas inundações causadas por rios, informou um porta-voz da EBA.

Embora as inundações fluviais tenham sido identificadas como o risco mais urgente, o porta-voz da EBA observou que, em vários países europeus, as ondas de calor coincidiram com tempestades severas que provocam enchentes.

A Espanha, onde está baseada uma grande parte dos clientes do BBVA, tem sido repetidamente atingida por eventos climáticos extremos nos últimos anos. As enchentes repentinas na região de Valência, em 2024, deixaram centenas de mortos e causaram prejuízos de bilhões de euros. No ano passado, incêndios florestais devastaram grandes áreas do país.

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Segundo Calvo, os clientes muitas vezes desconhecem os riscos aos quais estão expostos ou as medidas preventivas que podem adotar.

Tanto entre empresas quanto entre pessoas físicas, “há frequentemente uma lacuna de conscientização, embora, em alguns casos, medidas relativamente simples possam ajudar a reduzir a exposição”, como “a instalação de barreiras nas entradas de imóveis localizados em áreas sujeitas a inundações”, afirmou.

A Europa precisa investir até € 70 bilhões por ano para se adaptar às mudanças climáticas, sendo Espanha, França, Itália e Alemanha os países com as maiores necessidades de investimento, segundo dados da União Europeia. Estimativas indicam que os gastos efetivos ficam dezenas de bilhões de euros abaixo desse nível.

“O setor público está liderando esse movimento — especialmente na Europa — com forte foco em infraestrutura crítica resiliente”, disse Calvo. No entanto, o avanço no setor privado é “mais gradual”, apesar dos benefícios evidentes, afirmou.

O BBVA trabalha agora com outras instituições, entre elas o Banco Europeu de Investimento (BEI), para desenvolver formas de padronizar investimentos em adaptação e resiliência, com o objetivo de estimular o crescimento desse mercado, disse Calvo.

O objetivo é “criar os incentivos adequados tanto para os clientes quanto para as instituições financeiras”, afirmou. Por enquanto, “ainda é necessário avançar mais antes que isso se transforme em uma oportunidade de investimento em larga escala”.

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