Bancos discutem mudanças no FGC após impacto do Master, segundo fontes

Instituições avaliam a criação de mecanismos que desencorajem o investimento em produtos bancários com rendimentos que destoem de patamares vistos como sustentáveis

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Bloomberg — Os bancos estão discutindo potenciais mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após a quebra do Banco Master causar um impacto financeiro de cerca de R$ 52 bilhões sobre o fundo, que garante depósitos de instituições financeiras no país.

As instituições avaliam a criação de mecanismos que desencorajem o investimento em produtos bancários com rendimentos que destoem de patamares vistos como sustentáveis, de acordo com três pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News. Elas pediram para não serem identificadas discutindo assuntos privados.

Esta seria uma entre algumas medidas em potencial que associações do setor, entre elas a Febraban e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), estão discutindo, segundo duas das pessoas.

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As conclusões, ainda em debate, estão sendo compartilhadas com o Banco Central, disseram.

Outra medida em estudo é uma proposta de que os bancos tenham ativos de maior qualidade como lastro para os depósitos garantidos pelo FGC, disse uma das pessoas. A ideia é criar restrições para bancos com alavancagem excessiva.

Ainda não está definido se os reguladores adotarão alguma das medidas ou quais delas, que o BC teria de aprovar.

Bancos e associações debateram as propostas em reunião na terça-feira e devem voltar a se reunir nas próximas semanas, de acordo com uma das pessoas.

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A ABBC, que representa bancos de médio porte, afirmou que as conversas estão concentradas na mensuração da qualidade dos ativos que lastreiam emissões asseguradas pelo FGC, e que diferentes alternativas estão em estágio de discussão. A Febraban não respondeu imediatamente, e o FGC não respondeu a um pedido de comentário.

Mudanças no fundo garantidor vinham sendo discutidas desde antes da liquidação do Master, em novembro, e as conversas foram retomadas depois que os bancos começaram a ressarcir o fundo pelo pagamento devidos aos investidores do Master.

Os bancos obtiveram um alívio em regras de depósitos compulsórios para ajudar a reduzir o impacto das contribuições sobre seus balanços.

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O Master utilizava a proteção do FGC como ferramenta de propaganda para convencer pequenos investidores a aplicarem em produtos emitidos pelo banco, muitos deles com rendimentos acima da média do setor.

A instituição pagava até 140% do CDI, enquanto grandes bancos como Itaú Unibanco e Bradesco oferecem rendimentos próximos a 100%.

O Master aplicava os recursos obtidos com estes produtos em ativos arriscados e pouco transparentes, como investimentos em empresas endividadas e em pré-precatórios. A estratégia gerou uma crise de liquidez.

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