Bloomberg — A AstraZeneca divulgou um lucro acima do esperado, impulsionado por medicamentos oncológicos de grande sucesso, à medida que o foco se volta para a próxima geração de medicamentos oncológicos da empresa.
O lucro por ação, excluindo alguns itens, subiu 21%, para US$ 2,63 no último trimestre, valor superior aos US$ 2,48 previstos pelos analistas consultados pela Bloomberg.
A demanda cresceu pelo Enhertu, para tumores de mama, e pelo Imfinzi, utilizado no tratamento do câncer de pulmão. As ações subiram até 2% nas negociações em Londres, reduzindo sua queda no ano.
A farmacêutica britânica, liderada pelo diretor executivo Pascal Soriot, consolidou-se como uma potência no setor de medicamentos contra o câncer, lançando uma série constante de medicamentos de grande sucesso, incluindo o Tagrisso e o Imfinzi.
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Os investidores estão agora atentos para saber se esse sucesso poderá continuar, com vários resultados importantes de ensaios clínicos previstos para o final deste ano.
Na segunda-feira, a empresa divulgou resultados promissores para um tratamento experimental contra o câncer gástrico, bem como resultados decepcionantes para um medicamento chamado Ultomiris, destinado ao tratamento de uma doença sanguínea rara.
A Astra também informou que agora espera vendas superiores a US$ 5 bilhões por ano para o tozorakimab, um medicamento experimental para a doença pulmonar obstrutiva crônica.
Antes da divulgação do relatório, as ações da Astra haviam caído 8% desde o início do ano, apresentando desempenho inferior ao de suas concorrentes europeias.
“O equilíbrio entre o crescimento da receita e a evolução dos lucros está agora menos favorável do que em anos anteriores, dados os níveis crescentes de investimento em P&D necessários para que a empresa cresça além de 2030”, escreveu Sean Conroy, analista da Shore Capital, em uma nota.
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A queda segue-se a resultados decepcionantes de um medicamento para doenças cardíacas chamado Wainua, que surpreendeu os investidores, ocorrendo após comunicações positivas da administração da empresa.
A farmacêutica raramente divulga fracassos de medicamentos em fase avançada de desenvolvimento, com uma taxa geral de sucesso em ensaios clínicos que ela estima em 75%.
Resultados sobre câncer
A comunidade científica esperava que o ensaio do Wainua fosse positivo, afirmou Soriot em uma teleconferência com jornalistas.
Os resultados surpreendentes, que mostram que o medicamento não funcionou em combinação com outro tratamento chamado estabilizador, representam um “aprendizado muito importante para a comunidade cardiológica”, disse ele em uma teleconferência. “Deveria ter funcionado”, disse Soriot. “A biologia é a biologia; nem sempre ela traz o que se espera.”
Os mercados financeiros têm extrapolado questões relacionadas ao desenho dos ensaios clínicos para o restante do pipeline, afirmou o analista do Barclays, James Gordon, antes da divulgação dos resultados.
“Há alguns anos, o mercado tinha grande confiança de que a Astra superaria outras empresas em termos de desenho de ensaios clínicos, pois a empresa vinha obtendo muito sucesso”, disse ele. “Mas, recentemente, a área de oncologia não tem sido tão simples assim — e agora temos este revés na cardiologia.”
A empresa deve publicar em breve os resultados dos ensaios clínicos de dois medicamentos-chave contra o câncer: o Datroway e o camizestrant experimental.
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O Datroway já foi aprovado para um tipo de tumor de mama, mas um novo ensaio está avaliando se ele é eficaz no câncer de pulmão.
O camizestrant, por sua vez, tem poucas chances de sucesso no câncer de mama, segundo analistas, após resultados negativos de um medicamento concorrente da Roche em uma população de pacientes semelhante.
Além do câncer, a Astra pretende ampliar ainda mais seu portfólio de medicamentos cardiovasculares e metabólicos, com investimentos voltados para o controle de peso. Um comprimido experimental contra a obesidade ajudou pacientes a perder até 11,8% do peso corporal em um estudo, o que o coloca, em linhas gerais, no caminho certo para competir com os produtos já existentes.
A Astra espera combinar o comprimido com outros tratamentos para se destacar em um mercado de obesidade cada vez mais concorrido, dominado pela Eli Lilly e pela Novo Nordisk.
A empresa reiterou suas perspectivas para o ano. Ela está a caminho de atingir US$ 80 bilhões em vendas até 2030, afirmou a diretora financeira Aradhana Sarin na Bloomberg TV. Apesar de os analistas preverem receitas mais elevadas, essa meta ainda é “ambiciosa”, segundo Sarin.
A Astra também pretende continuar crescendo no mesmo ritmo após 2030, o que é “provavelmente a parte mais subestimada da nossa história”, afirmou ela.
--Com a colaboração de Anna Edwards e Guy Johnson.
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