Bloomberg — A AstraZeneca concordou em pagar à empresa chinesa CSPC Pharmaceutical até US$ 18,5 bilhões por seus candidatos a medicamentos para tratamento da obesidade. Com isso, a farmacêutica britânica tenta entrar no crescente mercado de perda de peso.
O acordo fará com que a AstraZeneca pague US$ 1,2 bilhão por oito desses candidatos a medicamentos, incluindo quatro terapias injetáveis com potencial para tratar a obesidade e outras condições relacionadas ao peso, de acordo com um comunicado da sexta-feira (30).
O CEO Pascal Soriot disse que a Astra espera trazer ao mercado medicamentos para perda de peso mais baratos, que sejam mais fáceis de tomar e ajudem a preservar a massa muscular em comparação com as ofertas atuais.
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A empresa também está expandindo rapidamente sua presença na China, onde Soriot anunciou separadamente US$ 15 bilhões em investimentos até 2030, como parte da visita oficial do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, nesta semana.
As ações da AstraZeneca caíram até 1% no início das negociações em Londres. Elas aumentaram em quase um terço em 2025. As ações da CSPC caíram até 13% em Hong Kong, com analistas apontando para a realização de lucros após o anúncio do acordo.
A AstraZeneca receberá os direitos, fora da China, do composto experimental mais avançado da CSPC, o SYH2082, que está pronto para entrar em testes em humanos e imita os hormônios intestinais GLP-1 e GIP, os mesmos do Zepbound, sucesso de vendas da Eli Lilly.
O acordo também dá à Astra acesso à tecnologia de peptídeos de ação prolongada da CSPC, que poderia possibilitar a dosagem mensal, um dos alvos mais procurados pelos fabricantes de medicamentos que competem pela próxima geração de produtos para perda de peso. As injeções da Lilly e da Novo Nordisk, que lideram o mercado da obesidade, são ambas semanais.
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“O que observamos é que, em cerca de um ano, a adesão às terapias injetáveis com GLP-1s é tão baixa quanto 27%, portanto, embora os pacientes estejam obtendo a eficácia desejada, há um alto nível de descontinuação”, disse Sharon Barr, vice-presidente executiva e chefe de P&D de produtos biofarmacêuticos da Astra, em uma entrevista.
No caso dos peptídeos injetáveis - que incluem medicamentos existentes, como o Wegovy da Novo - “a dosagem menos frequente será um ponto de diferenciação realmente importante para as pessoas que desejam manter a perda de peso”, disse ela.
Injeções menos frequentes e mais convenientes são um objetivo central para as empresas que tentam entrar no mercado.
Entre elas estão a Amgen, cuja injeção mensal chamada MariTide está em fase final de desenvolvimento, e a Pfizer, com uma injeção de ação prolongada que adquiriu em seu acordo com a Metsera no ano passado.
A Astra licenciou anteriormente uma pílula para obesidade da empresa chinesa de biotecnologia Eccogene, e também está desenvolvendo um medicamento que tem como alvo o hormônio amilina e um injetável que tem como alvo o GLP-1 e o glucagon, um hormônio que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue.
A CSPC terá direito a marcos regulatórios e de desenvolvimento de até US$ 3,5 bilhões, além de possíveis pagamentos de marcos de vendas de até US$ 13,8 bilhões.
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