Bloomberg — A Apple decidiu rever os planos para um serviço virtual de orientação de saúde, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News. A medida faz parte de um esforço para repensar a forma como a empresa aborda o crescente mercado de serviços de bem-estar.
A iniciativa, com o codinome Mulberry, foi descontinuada nas últimas semanas, segundo as pessoas, que pediram anonimato porque a decisão não foi tornada pública.
A Apple agora planeja aproveitar algumas das funcionalidades que havia planejado para a oferta com inteligência artificial para lançá-las individualmente ao longo do tempo dentro do aplicativo de saúde.
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A decisão seguiu a mudança de liderança na organização de saúde da Apple, com o chefe de serviços Eddy Cue assumindo a divisão após a aposentadoria do executivo de longa data Jeff Williams no final do ano passado.
Cue disse anteriormente a colegas que a Apple precisa se movimentar mais rapidamente e ser mais competitiva na área da saúde, disseram as fontes.
Ele acrescentou que rivais mais recentes — incluindo a Oura Health Oy e a Whoop — oferecem recursos mais atrativos e úteis, especialmente por meio de seus aplicativos para iPhone.
O executivo veterano da Apple não achava que o plano existente da empresa para um novo serviço de saúde atendesse a esse padrão.
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Ele também considera mudanças no Apple Fitness+, um concorrente de US$ 9,99 por mês do aplicativo da Peloton Interactive, que oferece treinos guiados.
Um porta-voz da Apple, com sede em Cupertino, na Califórnia, não quis comentar.
A Apple enfrenta uma concorrência mais acirrada no mercado de monitoramento de saúde, com a Samsung Electronics e plataformas de fitness como o Strava ganhando força.
A OpenAI também entrou nesse mercado. A empresa lançou recentemente o ChatGPT Health para analisar dados de saúde, responder a perguntas e fornecer feedback.
A Apple, que passou anos desenvolvendo o serviço baseado em inteligência artificial, se referia internamente ao serviço como Health+.
Anteriormente, a empresa planejava lançá-lo com o sistema operacional iOS 26 no ano passado, antes de ter adiado a estreia para a primavera (no hemisfério Norte). Em seguida, havia adiado novamente o lançamento para a estreia do iOS 27, previsto para setembro deste ano, antes da mudança de planos.
O objetivo era criar um sistema capaz de gerar relatórios de saúde detalhados e — pela primeira vez — fornecer recomendações baseadas em IA para ajudar os usuários a melhorar seu bem-estar.
O novo serviço teria combinado novas pesquisas e avaliações de saúde com dados da Apple Watches e relatórios laboratoriais externos.
Como parte do esforço, a Apple construiu um estúdio de conteúdo em Oakland, na Califórnia, para produzir vídeos para o aplicativo Saúde. A programação foi concebida para explicar condições médicas, orientar os usuários por meio de planos de treinamento e oferecer informações sobre bem-estar.
O conteúdo em vídeo e algumas funcionalidades, como sugestões baseadas em dados existentes no aplicativo Saúde, serão reaproveitados e lançados ainda neste ano. Outro recurso que continua em desenvolvimento é o uso da câmera do iPhone para analisar e avaliar a forma como uma pessoa caminha.
Como parte de outras iniciativas na área da saúde, a Apple está trabalhando em um chatbot de IA que permitiria aos usuários fazerem perguntas sobre seu bem-estar.
A longo prazo, a Apple planeja integrar um novo chatbot da Siri — com lançamento previsto para o final deste ano junto com o iOS 27 — para dar suporte a consultas de saúde mais avançadas no aplicativo Saúde e em seus sistemas operacionais.
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