Bloomberg — A oferta de € 10,8 bilhões da Poste Italiane pelo controle total da Telecom Italia impulsiona uma consolidação necessária que deve fortalecer o setor de telecomunicações na Europa, afirmou o CEO da operadora.
“Hoje, o negócio digital gira em torno de escala”, disse o CEO da Telecom Italia, Pietro Labriola, nesta terça-feira (24), em entrevista à Bloomberg Television. “É preciso agir rapidamente e contar com uma base financeira sólida.”
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A proposta da Poste levaria o grupo de volta ao controle estatal após três décadas de privatização.
A Poste, controlada majoritariamente pelo governo, oferece serviços bancários, seguros e planos de telefonia móvel da PosteMobile. O Estado italiano também é o maior acionista da Telecom Italia.
Labriola afirmou que o mercado europeu de telecomunicações precisa se consolidar à medida que as fronteiras entre setores se dissipam, permitindo que as operadoras ganhem escala para financiar investimentos em nuvem, TI e conteúdo.
“Ser pequeno não é necessariamente vantajoso”, disse, acrescentando que uma empresa combinada entre Poste e Telecom Italia ainda poderia participar de fusões transfronteiriças no setor.
O grupo Telecom Itália é controlador da TIM (TIMS3) no Brasil, por meio de seu braço financeiro.
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A oferta, anunciada no domingo, levaria ao controle total e ao fechamento de capital da Telecom Italia.
Ela deve ser avaliada pelos investidores, afirmou Labriola, acrescentando que a Poste pode ser uma parceira industrial relevante, com potencial de redução de custos e vantagens ligadas à presença no varejo e à infraestrutura digital.
“Caberá ao mercado decidir sobre a atratividade” da oferta da Poste, disse Labriola. “Estamos no início de um processo.”
As ações da Telecom Italia subiram 4,7% na segunda-feira (23) após a proposta, que combina pagamento em dinheiro e ações. Nesta terça-feira, operavam praticamente estáveis em Milão, o que dá à empresa um valor de mercado de cerca de € 13,6 bilhões.
“Acreditamos que a oferta inesperada da Poste pela TIM subavalia o potencial do ativo e vemos espaço para uma melhora”, disseram analistas do Barclays liderados por Mathieu Robilliard, em relatório.
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Sob a gestão de Labriola, a operadora reduziu a dívida, vendeu sua rede fixa e melhorou os resultados. Agora, a Poste quer incorporar esse negócio mais enxuto a uma plataforma doméstica mais ampla, usando sua vasta presença no varejo para vender os serviços de telefonia da Telecom Italia.
Segurança digital
A oferta também se alinha ao esforço mais amplo da primeira-ministra Giorgia Meloni para reforçar a supervisão de infraestruturas estratégicas.
O governo tem classificado as redes de telecomunicações como um setor estratégico e apoiado a reconfiguração dos ativos da Telecom Italia como parte de uma política industrial mais ampla.
“As fronteiras entre setores estão desaparecendo — conteúdo, nuvem e conectividade estão convergindo dentro do ecossistema digital”, disse Labriola. “O essencial é definir qual papel você quer desempenhar nesse ambiente.”
A empresa combinada teria cerca de € 26,9 bilhões em receita anual e poderia obter aproximadamente € 700 milhões por ano com sinergias, incluindo redução de custos e aumento de receitas com iniciativas como venda cruzada.
Questionado se permaneceria no cargo durante uma eventual fusão com a Poste, Labriola disse que isso “não é importante” e que maximizar o retorno aos acionistas é mais relevante.
-- Com a colaboração de Tiago Ramos Alfaro e Flavia Rotondi.
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