Bloomberg Línea — A Ânima Educação (ANIM3) anunciou nesta terça-feira (14) a compra das Faculdades Metropolitanas Unidas Educacionais (FMU) por R$ 410 milhões.
A subsidiária Rede Educacional do Brasil assinou o contrato com o Camp Nou Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, controlado pela gestora Farallon, segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A Ânima Educação é hoje avaliada em R$ 1,14 bilhão na B3.
“A chegada da FMU fortalecerá a posição estratégica da rede de instituições que integram o ecossistema Ânima no ensino superior brasileiro, com um portfólio de marcas fortes, tradicionais, adicionando crescimento de receita às suas operações nos segmentos Core e Digital”, disse a empresa no documento.
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A Ânima citou o desempenho acadêmico da FMU para justificar a aquisição, com destaque para o curso de Direito, bem avaliado nos exames da OAB em São Paulo, e para a área de Saúde, descrita no fato relevante como dotada de “laboratórios de ponta” e sinergia com o restante do grupo.
A companhia também aponta a ampla presença da FMU em modalidades digital e híbrida como reforço à própria estratégia de expansão nesses segmentos.
Do lado financeiro, a FMU fechou os 12 meses até março de 2026 com receita líquida de R$ 281,7 milhões, Ebitda ajustado de R$ 52,9 milhões e dívida líquida ajustada de R$ 150,3 milhões, segundo o texto da Ânima aos investidores.
Já o contrato de R$ 410 milhões condiciona parte do pagamento ao desempenho futuro do ativo: o earn-out só é acionado se o Ebitda da FMU superar R$ 70 milhões, ante os R$ 52,9 milhões atuais.
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A FMU pertenceu à própria Ânima até maio de 2021, quando foi vendida ao fundo Farallon por R$ 500 milhões, como parte do acordo que viabilizou a aquisição, pela Ânima, das instituições de ensino superior do grupo americano Laureate Education no Brasil, entre elas a Anhembi Morumbi e a São Judas, negócio avaliado em R$ 4,4 bilhões.
Com 58 anos de história, a FMU é hoje a quinta maior instituição de ensino superior privada de São Paulo, segundo a Ânima. Soma 51 mil alunos em seis campi na cidade, entre eles Vila Nova Conceição, Liberdade, Galvão Bueno, Ponte Estaiada, Vila Mariana e a Casa Metropolitana do Direito, além de 214 unidades de ensino a distância pelo país.
A estrutura de pagamento da nova aquisição prevê que dos R$ 410 milhões, R$ 240 milhões serão pagos à vista no fechamento da operação. O saldo de R$ 170 milhões só será quitado em dezembro de 2029, ou até três anos após a aprovação definitiva do Cade, o que ocorrer primeiro.
Esse valor mínimo é corrigido pelo CDI (taxa de juros de referência do mercado) desde a assinatura do contrato, enquanto a primeira parcela só passa a ser corrigida caso o fechamento ultrapasse 31 de dezembro de 2026
A Ânima disse ainda, no fato relevante, que por ter sido conduzida pela subsidiária Rede, a transação não está sujeita ao regime do artigo 256 da Lei das Sociedades por Ações.
Essa regra normalmente obriga a aprovação de acionistas e garante a eles o direito de sair da empresa quando a própria companhia aberta compra o controle de outra por um preço considerado alto. Como quem assinou o contrato foi a subsidiária Rede, e não a Ânima Holding diretamente, a empresa argumenta que essa proteção não se aplica.
Premissas do rating
Caso seja concluído, o negócio ocorre em um cenário distinto do que a companhia vinha sinalizando ao mercado de crédito.
Em outubro de 2025, a Fitch Ratings atribuiu à Ânima o rating AA(bra), nota alta de crédito na escala nacional, com base num cenário que previa investimentos anuais entre R$ 180 milhões e R$ 200 milhões (entre 4,5% e 5% da receita) e ausência de aquisições relevantes.
Só a primeira parcela da operação anunciada, de R$ 240 milhões, já superaria o teto desse patamar de investimento anual projetado. A Fitch ainda não divulgou o impacto da aquisição da FMU no rating.
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No relatório, a Fitch estabeleceu dois limites para o rating: a dívida acima de 3,5 vezes o lucro operacional levaria a um corte de nota; abaixo de 2,5 vezes, abriria caminho para uma elevação. A agência projetava esse índice em cerca de 2,5 vezes para 2026.
A Ânima chegou a 2,39 vezes em março, patamar melhor do que a Fitch esperava para o ano. A compra da FMU, paga em parte com caixa e dívida, deve elevar esse número, embora o fato relevante não diga em quanto.
A Ânima atribuiu a segurança para a operação à desalavancagem recente, à geração de caixa e à retomada do crescimento no segmento Core, segundo o fato relevante.
A Fitch descreve a Ânima como a segunda maior empresa do setor de graduação privada presencial no Brasil, e a terceira maior em vagas de Medicina, curso de margens de lucro mais elevadas, sustentadas pela combinação de alta demanda e poucas vagas autorizadas pelo MEC (Ministério da Educação).
Um novo marco regulatório do ensino superior, de maio de 2025, pode elevar custos e afetar a demanda do setor, segundo a Fitch.
A companhia, porém, tem baixa exposição ao ensino a distância, o que a deixaria mais preparada para as mudanças, na avaliação da agência.
As ações fecharam o pregão desta terça-feira cotadas a R$ 2,87, alta de 1,77%.
O Ibovespa acumula alta de 30,56% em 12 meses e de 10,03% no ano, enquanto o papel da Ânima recua 22,01% no mesmo período de 12 meses e 12,77% no acumulado de 2026.
O fechamento da operação depende da aprovação do Cade , com conclusão estimada para o fim de 2026.
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