Bloomberg Línea — A Ambev (ABEV3) registrou crescimento de 0,1% no volume total orgânico no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, contrariando parte das expectativas do mercado, que esperava vendas mais pressionadas diante de fatores como o clima.
O desempenho foi sustentado pelo avanço de 1,2% no volume de cerveja no Brasil — o que a companhia descreveu como nível recorde para um primeiro trimestre — e pelo crescimento de 7,7% na América Central e Caribe (CAC), de acordo com documento dos resultados divulgado nesta terça-feira (5).
No sentido contrário, o segmento de bebidas não alcoólicas (NAB) no Brasil recuou 3,9%. O mercado do Canadá caiu 2,0% e o da América Latina Sul (LAS) recuou 0,5%.
O Itaú BBA projetava queda de cerca de 2% no volume de Cerveja Brasil, “principalmente por clima e efeitos de base”, enquanto a Bloomberg Intelligence estimava recuo de cerca de 1%. A XP esperava volume de cerveja no Brasil “relativamente estável”.
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A fabricante de bebidas também superou as expectativas em outros resultados. O lucro líquido ajustado foi de R$ 3,83 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e acima da estimativa de R$ 3,64 bilhões do consenso Bloomberg.
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O Ebitda ajustado somou R$ 7,56 bilhões, também acima da expectativa de R$ 7,15 bilhões, com margem de 33,6% ante estimativa de 32,4%.
A receita líquida consolidada ficou em R$ 22,46 bilhões, queda de 0,1% em bases reportadas, mas crescimento de 8,1% em bases orgânicas — também acima da estimativa de R$ 22,29 bilhões.
Custos e margens
O Custo dos Produtos Vendidos (CPV) por hectolitro excluindo depreciação e amortização cresceu 8,5% em bases orgânicas no consolidado. Em Cerveja Brasil, a mesma métrica avançou 14,6%, acima da receita líquida por hectolitro, que cresceu 8,0% excluindo marketplace. A margem Ebitda ajustada de Cerveja Brasil recuou 60 pontos-base, para 35,2%.
A companhia manteve o guidance (projeção) inalterado de crescimento de CPV/hl entre 4,5% e 7,5% para 2026.
“Seguimos focados na execução disciplinada e na alocação eficiente de recursos, preservando a flexibilidade necessária para navegar em um ambiente em constante evolução”, disse a Ambev no release.
Fluxo de caixa e alocação de capital
O fluxo de caixa das atividades operacionais somou R$ 3,16 bilhões no trimestre, alta de 162,5% em relação ao R$ 1,20 bilhão do 1T25. A companhia descreveu o resultado como o maior desempenho de fluxo de caixa operacional para um primeiro trimestre nos últimos dez anos.
O conselho de administração aprovou o pagamento de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP) referentes à segunda parcela da declaração de dezembro de 2025, com data prevista para 6 de julho de 2026, além de nova distribuição de aproximadamente R$ 700 milhões a ser paga até dezembro de 2026.
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