AES, que saiu do Brasil em 2024, é comprada por US$ 10,7 bilhões nos EUA

Grupo de energia americano foi adquirido por um consórcio formado pela gestora Global Infrastructure Partners (GIP), da BlackRock, e pela EQT; negócio ocorre em meio à alta da demanda puxada por data centers

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Bloomberg — A gestora Global Infrastructure Partners (GIP), da BlackRock, e a EQT concordaram em adquirir a americana AES por cerca de US$ 10,7 bilhões em dinheiro, em meio à crescente demanda por empresas de geração elétrica capazes de abastecer data centers de inteligência artificial, intensivos em consumo de energia.

A GIP e a EQT pagarão US$ 15 por ação da AES, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira (2). O valor da companhia (enterprise value) na transação é de aproximadamente US$ 33,4 bilhões.

As ações da AES (AES) chegaram a cair até 18%, a maior queda intradiária em quase seis anos, sendo negociadas a US$ 14,30 às 13h04 em Nova York.

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O preço ofertado de US$ 15 por ação ficou abaixo do fechamento de sexta-feira, de US$ 17,28, após especulações sobre fusões e aquisições impulsionarem o papel.

Ainda assim, a operação representa um prêmio de cerca de 40% em relação ao preço médio ponderado por volume dos 30 dias anteriores a 8 de julho, véspera da reportagem da Bloomberg News indicando que a AES avaliava uma venda e atraía interesse de investidores de infraestrutura, incluindo a GIP.

A AES detinha operações no Brasil até 2024, quando vendeu seu negócio no país à Auren Energia.

Maior apetite por energia

O acordo com a GIP e a EQT evidencia a crescente relevância das empresas de energia no avanço da infraestrutura de data centers voltados à IA.

O setor já registrou mais de US$ 280 bilhões em fusões e aquisições anunciadas desde o início de 2025, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A conclusão da transação é esperada para o início de 2027.

A AES enfrentava a perspectiva de eliminar dividendos e emitir um volume elevado de ações para financiar sua expansão em projetos de geração, segundo uma pessoa familiarizada com o tema que falou com a Bloomberg News e pediu anonimato por não estar autorizada a falar publicamente.

O negócio fornecerá o capital necessário para sustentar o crescimento da companhia, disse a fonte.

O fechamento de capital deve ampliar a flexibilidade financeira da empresa, segundo analistas da Evercore.

“Com o apoio do consórcio, a AES passa a ter melhor acesso a capital para investir e deixa de estar sujeita às métricas de alavancagem exigidas por investidores em companhias abertas”, escreveram os analistas Nicholas Amicucci e Sharon Wang em relatório divulgado na segunda-feira.

A GIP e a EQT apostam que a AES será beneficiada pelo aumento da demanda por eletricidade gerada por grandes centros de computação construídos por empresas de tecnologia. A companhia firmou contratos para fornecer energia renovável a desenvolvedores como Google, Microsoft e Amazon.

A AES vinha avaliando alternativas estratégicas após receber interesse de aquisição por parte de investidores de infraestrutura no ano passado. Em fevereiro, a Bloomberg News informou que GIP e EQT estavam próximas de um acordo para comprar a empresa.

Inicialmente concorrentes no processo, GIP e EQT decidiram atuar em conjunto nas etapas finais, após cerca de nove meses de diligência, segundo a pessoa familiarizada com as negociações.

Executivos da AES afirmaram que o mercado acionário vinha subavaliando a companhia, que possui ativos de geração renovável — incluindo eólica e solar — além de usinas a gás natural, carvão e operações de distribuição nos estados americanos de Indiana e Ohio.

JPMorgan Chase e Wells Fargo assessoraram a AES, enquanto o Goldman Sachs Group atuou junto à GIP e o Citigroup assessorou a EQT.

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