Warsh reforça expectativas de que Fed mantenha taxa de juros inalterada em outubro

Em debate em Bangok, presidente do banco central americano evitou fazer comentários sobre política monetária; ‘Não faço previsões sobre as reuniões’, afirmou

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Bloomberg — O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, não fez nada para dissipar as expectativas do mercado de que o banco central dos Estados Unidos manterá as taxas de juros inalteradas em sua reunião no final do mês.

Em um debate moderado na manhã desta sexta-feira (16) em Bangkok, durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI), Warsh não fez comentários sobre política monetária nem sobre suas perspectivas para a economia dos Estados Unidos, além de reiterar que o Fed garantirá a estabilidade de preços.

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“Deixamos bem claro que garantiríamos a estabilidade de preços e retiramos uma dose de acomodação há cerca de um mês”, disse Warsh. “Não faço previsões sobre as reuniões. Não acredito em dizer agora o que posso vir a fazer nas reuniões que teremos no restante deste ano.”

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Os investidores reduziram suas apostas em um aumento da taxa de juros na reunião de política monetária do banco central, realizada entre 27 e 28 de outubro. As probabilidades, que oscilavam em torno de 27% antes da declaração de Warsh, caíram para menos de 15% após suas observações.

As ações ampliaram os ganhos e o dólar registrou ligeira queda, com os futuros do Índice S&P 500 recuperando as perdas e subindo 0,2%.

“Ficou claro que ele não iria apresentar nada que o mercado pudesse interpretar como uma postura hawkish”, escreveu Derek Tang, economista da Monetary Policy Analytics, em uma nota aos clientes.

O Fed elevou as taxas de juros em um quarto de ponto percentual em setembro, o primeiro aumento desde 2023. A decisão contou com o apoio de todos os 19 membros do Comitê de Política Monetária, e a maioria também considerou provável que haja outro aumento ainda este ano.

Warsh afirmou na sexta-feira que “o mundo tem se alinhado amplamente às nossas expectativas” desde a última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), em setembro.

Algumas autoridades-chave reiteraram, nas últimas semanas, que novos aumentos nas taxas podem ser necessários, mas enfatizaram que têm tempo para coletar dados econômicos antes de agir novamente.

“Juntamente com outros comentários recentes de participantes do FOMC, as declarações de Warsh indicam que o FOMC deve fazer uma pausa em outubro”, escreveram economistas do Goldman Sachs, liderados por Jan Hatzius, em uma nota, acrescentando que esperam um aumento final em dezembro.

Warsh reiterou sua visão otimista sobre a inteligência artificial, classificando-a como a inovação mais importante na economia global durante sua vida. No entanto, ele também alertou que ela pode estar impulsionando a demanda no curto prazo.

O presidente do Fed afirmou que, como banqueiro central, está levando a nova tecnologia a sério, mas também “com sobriedade e responsabilidade”.

“É óbvio que ela está afetando o lado da demanda da economia antes de afetar o lado da oferta”, disse Warsh. “Se você é um banqueiro central, cuja função é garantir a estabilidade dos preços e o pleno emprego, precisa reconhecer isso como um choque.”

Embora seja um choque positivo de oferta no médio prazo, argumentou Warsh, isso está impulsionando aumentos na demanda agregada no momento, e o impacto sobre o emprego é incerto.

Alguns colegas de Warsh expressaram preocupações semelhantes, chegando a questionar se o aumento repentino nos investimentos que está impulsionando a expansão da IA poderia levar a um superaquecimento da economia.

Warsh também anunciou que sua força-tarefa sobre produtividade e empregos — que está lidando com as implicações da IA — realizará uma audiência de campo na região da Baía de São Francisco no dia 16 de novembro.

Trata-se de um dos cinco grupos de trabalho convocados por Warsh que apresentarão recomendações ao Comitê Federal de Mercado Aberto no final deste ano ou no início de 2027.

-- Com a colaboração de Jorgelina do Rosário e Andrew Ackerman.

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