S&P 500 em patamar recorde e títulos pressionados: Wall St em meio à guerra no Irã

As ações americanas já estão acima do valor que tinham antes do início da guerra no Irã e, de fato, fecharam em máximas históricas. Por outro lado, os rendimentos dos títulos não conseguiram se recuperar

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Bloomberg Línea — Um mês e meio após o início do ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, as ações de Wall Street se recuperaram da queda inicial e já são negociadas acima do valor inicial.

No entanto, os títulos não conseguiram se dissociar dos efeitos da guerra e seus rendimentos estão mais altos do que os observados antes do início de março.

No que diz respeito às ações, o S&P 500 fechou o pregão de 15 de abril em 7.022,95 pontos, o que representa um novo recorde histórico do índice.

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Por outro lado, no mercado de títulos, o panorama é o seguinte:

  • O rendimento do título do Tesouro de dois anos passou de 3,379% para 3,761%.
  • A taxa do título de 5 anos subiu de 3,514% para 3,892%.
  • Nos títulos do Tesouro de 10 anos, os rendimentos subiram de 3,962% para 4,285%.
  • No título de 30 anos, o salto foi de 3,751% para 4,894%.

Motivos da diferença

Por trás desse comportamento divergente, surgem vários fatores. Segundo o Deutsche Bank, embora os mercados continuem sensíveis ao preço do petróleo, as ações começaram a se desconectar de forma positiva, enquanto os títulos continuam se movendo praticamente em linha com essa variável.

Por um lado, destaca a instituição alemã, as taxas de rendimento dos títulos partiam de níveis que o mercado passou a considerar excessivamente baixos no início do conflito, num contexto em que se descontavam cortes agressivos nas taxas de juros por parte do Federal Reserve, impulsionados por receios de desaceleração, preocupações com o mercado de trabalho e expectativas de desinflação que, posteriormente, não se confirmaram com os dados. Essa interpretação foi reforçada por indicadores recentes mais sólidos nos Estados Unidos.

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Paralelamente, o mercado acionário encontrou suporte nas expectativas de lucros. Um ambiente de inflação moderada geralmente não é adverso para as ações, uma vez que as receitas corporativas são expressas em termos nominais.

Nesse contexto, as projeções de resultados para o primeiro trimestre do S&P 500 — com crescimentos próximos a 19% — começaram a ser incorporadas de forma mais visível nas avaliações, de acordo com o banco

A isso se soma a questão fiscal. O conflito tende a reforçar a expectativa de um maior gasto público, tanto para amortecer o impacto sobre os consumidores quanto em áreas estruturais como defesa e independência energética. Esse fator introduz pressão adicional sobre os títulos, ao mesmo tempo em que resulta menos prejudicial para as ações, também segundo o Deutsche Bank.

Assim, embora ambos os mercados continuem sensíveis à evolução dos preços do petróleo, as ações conseguiram se desacoplar em maior medida, enquanto as taxas de rendimento dos títulos de renda fixa mal reverteram uma parte do movimento registrado desde o início das tensões.

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