Bloomberg — Embora a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro após ataques aéreos dos Estados Unidos represente um desenvolvimento geopolítico de grande magnitude, os primeiros relatos indicam que o mercado global de petróleo deve absorver o movimento com relativa normalidade.
A infraestrutura petrolífera da Venezuela não foi afetada após uma série de ataques dos Estados Unidos em Caracas e em outros estados, segundo pessoas com conhecimento do assunto que falaram com a Bloomberg News.
Instalações-chave como o porto de José, a refinaria de Amuay e áreas petrolíferas na Faixa do Orinoco continuam operacionais, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas porque o tema é confidencial.
Embora a Venezuela já tenha sido uma potência na produção de petróleo, sua produção caiu de forma acentuada ao longo das últimas duas décadas e hoje representa menos de 1% da oferta global.
A pressão recente dos Estados Unidos sobre o regime de Maduro, incluindo a apreensão de navios-tanque que transportavam petróleo venezuelano nas últimas semanas, forçou o país a começar a fechar alguns poços de petróleo diante do excedente em estoques.
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Enquanto isso, a oferta global de petróleo deve superar a demanda em 3,8 milhões de barris por dia em 2026, o que representaria um recorde, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
Os preços do petróleo bruto despencaram nas últimas semanas para cerca de US$ 60 por barril.
Um produto de negociação de varejo de fim de semana operado pelo IG Group mostrou, em determinado momento, os preços do petróleo bruto dos Estados Unidos em alta de quase US$ 2 em relação ao fechamento de sexta-feira (2).
“Minha avaliação é que os preços do petróleo Brent subirão apenas marginalmente na abertura do domingo à noite (4), entre US$ 1 e US$ 2, ou até menos”, disse Arne Lohman Rasmussen, analista-chefe da A/S Global Risk Management.
“Mesmo em condições normais, uma disrupção dessa magnitude é administrável para o mercado. Em particular, todas as projeções apontam para um excesso significativo de oferta no primeiro trimestre, impulsionado por uma demanda sazonalmente fraca e por aumentos de produção da Opep+.”
A Venezuela é membro da Opep, que, junto com aliados como a Rússia, tem uma reunião marcada para domingo.
A videoconferência planejada deve resultar na manutenção da pausa prevista nos aumentos de produção, segundo três delegados ouvidos no início desta semana.
As apreensões de navios-tanque no Caribe nas últimas semanas assustaram operadores de embarcações sancionadas. Pelo menos sete navios inverteram rota ou interromperam a navegação em alto-mar, de acordo com dados de movimentação de embarcações acompanhados pela Bloomberg na sexta-feira.
Isso se soma a outros quatro navios que se afastaram imediatamente após forças dos Estados Unidos abordarem a embarcação Skipper em meados de dezembro.
Apesar da volatilidade do último mês, a Chevron continuou a operar no país sob uma autorização especial de sanções concedida pelo governo Trump.
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“A Chevron permanece focada na segurança e no bem-estar de nossos funcionários, assim como na integridade de nossos ativos”, afirmou a empresa em comunicado no sábado (3). “Continuamos operando em total conformidade com todas as leis e regulamentos aplicáveis.”
A captura de Maduro levanta especulações sobre o destino da indústria petrolífera venezuelana no longo prazo. Estima-se que o país detenha mais reservas de petróleo no subsolo do que a Arábia Saudita e, ao longo do último século, tenha atraído alguns dos maiores operadores internacionais.
No entanto duas ondas de nacionalização deixaram uma forte impressão negativa em empresas como Shell, Exxon Mobil e ConocoPhillips.
A Exxon e a Conoco buscaram posteriormente indenização depois que seus ativos foram confiscados pelo falecido presidente Hugo Chávez.
Além da Chevron, a espanhola Repsol, a italiana Eni e a francesa Maurel et Prom também continuam presentes na Venezuela e participam de empreendimentos de petróleo e gás em parceria com a estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela SA).
Após a captura de Maduro, Donald Trump levantou a possibilidade de uma presença maior dos Estados Unidos no setor petrolífero venezuelano. “Vamos estar muito fortemente envolvidos nisso”, disse ele à Fox News no sábado cedo.
Mais tarde, em entrevista coletiva sobre os ataques, Trump confirmou os planos sem fornecer mais detalhes.
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