Bloomberg — Em retrospectiva, o começo do fim da operação baseada na desvalorização do dólar e favorável ao ouro e bitcoin, conhecida como “debasement”, pode ser rastreado até 30 de janeiro.
Foi quando o presidente dos EUA, Donald Trump, nomeou Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve, levando investidores a reavaliar a popular estratégia macroeconômica centrada na diversificação para longe do dólar.
O ouro caiu até 13% naquele dia em relação à máxima histórica, a maior queda desde um pico em mais de quatro décadas, enquanto o Bitcoin desabou posteriormente.
O dólar encontrou um piso após uma longa trajetória de queda.
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Embora Warsh tenha conquistado a indicação de Trump ao defender juros mais baixos, foi sua reputação anterior de rigor no combate à inflação que permaneceu na mente de muitos investidores. E isso introduziu dúvidas suficientes sobre qual direção ele seguiria para levar parte deles a adotar posições de proteção quando seu nome foi anunciado.
A tendência ganhou força na semana passada, quando Warsh, em sua primeira reunião de política monetária à frente do Fed, afirmou que a estabilidade de preços era sua prioridade absoluta.
Para muitos operadores, isso ajudou significativamente a dissipar os temores de que ele simplesmente acomodaria a preferência da Casa Branca por juros menores — e a operação de “debasement” do dólar sofreu mais um revés.
“Qualquer pessoa que pense que ele é uma espécie de fantoche colocado lá para cortar as taxas de juros independentemente da inflação ficará muito, muito desapontada com Kevin Warsh”, disse Gavyn Davies, cofundador e chairman do conselho da Fulcrum Asset Management e ex-economista-chefe do Goldman Sachs Group. “Ele não é esse tipo de presidente.”
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O “trade debasement” — definida de forma ampla como uma preferência por ativos como ouro e Bitcoin em detrimento de moedas vulneráveis a excessos inflacionários, fiscais e monetários, como o dólar — foi uma das narrativas definidoras do mercado nos últimos dois anos. Nos EUA, o aumento dos empréstimos governamentais e a inflação acima da meta por mais de meia década alimentaram as preocupações de que o poder de compra do dólar se deterioraria.
“O que preocupava as pessoas era a meta de inflação, a credibilidade do Fed e sua independência”, disse Jonathan Owen, gestor de carteiras da TwentyFour Asset Management. “Acho que essas preocupações foram em grande parte dissipadas.”
Os investidores agora consideram totalmente precificados dois aumentos nas taxas de juros até o final do primeiro trimestre de 2027, em comparação com apenas um antes da decisão da semana passada.
O primeiro aumento pode ocorrer já na próxima reunião, em julho.
A mensagem de Warsh também impulsionou uma nova valorização do dólar e deu um impulso aos títulos do Tesouro de longo prazo sensíveis à inflação, em detrimento do ouro e das criptomoedas.
O dólar já vinha se beneficiando da renovada confiança no excepcionalismo americano.
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Investimentos maciços ligados à inteligência artificial e a posição energética relativamente favorável dos EUA fortaleceram o apelo da moeda em comparação com as economias importadoras de energia da Europa e da Ásia. Um cenário de emprego estável também atuou como lastro.
Após a reunião da semana passada, o JPMorgan Chase elevou sua previsão para o dólar em relação ao euro e recomendou posições compradas em dólar contra uma cesta de moedas de menor rendimento, incluindo o franco suíço e o dólar neozelandês.
“Se o Fed tiver uma tendência favorável ao aumento das taxas de juros, fica muito difícil usar a carta de debasement”, diz Meera Chandan, co-chefe de estratégia global de câmbio do JPMorgan.
No mercado de opções de câmbio, a demanda por proteção contra novos ganhos do dólar frente ao franco suíço — tradicional ativo de refúgio — atingiu o maior nível desde 2022.
A promessa de Warsh de restaurar a credibilidade do Fed no combate à inflação vem acompanhada de seus apelos por uma “mudança de regime”, reformulando a maneira como o banco central conduz sua política monetária, se comunica e administra seu balanço patrimonial.
Esse novo tom ajudou a impulsionar os rendimentos ajustados pela inflação dos títulos do Tesouro de 10 anos para 2,28%, o maior patamar em mais de um ano.
Brilho do ouro
Taxas de juros reais mais altas aumentam o custo de oportunidade de manter ativos que não geram renda, incluindo ouro e bitcoin.
O Deutsche Bank reduziu sua previsão para o preço do ouro em até 22%, à medida que os investidores se tornam mais cautelosos com as perspectivas da política monetária dos EUA e a demanda pelo metal precioso diminui.
Essa redução segue uma medida semelhante tomada na semana passada pelo Goldman Sachs Group, que cortou em US$ 500 sua previsão para o final do ano, para US$ 4.900 a onça.
Quase US$ 1 bilhão saiu do SPDR Gold Shares — o maior ETF de ouro — neste mês. Isso elevou o fluxo de saída do ETF desde o final de fevereiro para US$ 12 bilhões, o maior para qualquer período de quatro meses desde 2013.
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