Real vira ‘dano colateral’ e cai quase 3% em pior mês do ano com alta do dólar

O real brasileiro caminha para seu pior mês deste ano, à medida que a recuperação do dólar e as mudanças nas expectativas em relação às taxas de juros levam os investidores a encerrar uma de suas operações de carry trade mais procuradas.

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O dólar caminha para registrar seu pior desempenho mensal no ano, à medida que a recuperação do índice da divisa americana e a mudança nas expectativas para o cenário de juros nos Estados Unidos levam investidores a desmontar uma de suas operações de ‘carry trade’ preferidas.

O real flutuava perto da estabilidade frente ao dólar americano nesta terça-feira, mantendo a queda acumulada em junho em cerca de 2,7% e reduzindo parte do desempenho excepcional da moeda no início do ano.

O índice de moedas de mercados emergentes do MSCI recua 1% neste mês.

A estreia de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve, com um tom duro em relação à inflação, no início deste mês, impulsionou as expectativas de juros mais altos nos EUA e enfraqueceu apostas na moeda brasileira.

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Os ativos domésticos também foram pressionados por uma comunicação do próprio Banco Central tida por alguns agentes do mercado como “confusa”, com a autoridade monetária cortando os juros enquanto sinalizou riscos mais elevados para a inflação.

“Foi definitivamente um mês difícil para o real, que vinha sendo uma das moedas de mercados emergentes preferidas pelos investidores”, disse Luis Estrada, estrategista do RBC Capital Markets. A moeda tornou-se “dano colateral da redução global de posições em portfólios”.

O tom mais duro adotado por Warsh à frente do Fed elevou os rendimentos dos Treasuries e fortaleceu a divisa americana, levando o Bloomberg Dollar Spot Index ao maior nível do ano na semana passada.

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Ao mesmo tempo, a queda dos preços do petróleo contribuiu para que investidores reduzissem posições compradas que haviam montado no real durante o conflito com o Irã.

O Banco Central reduziu os juros no início deste mês, em uma decisão amplamente esperada, mas a comunicação que acompanhou a decisão foi considerada ambígua por muitos investidores, ao alertar para a aceleração da inflação enquanto mantinha aberta a possibilidade de novos cortes.

“Um Warsh mais duro teve seu papel, mas um BC mais brando também não ajudou o real”, disse Alejo Czerwonko, CIO para mercados emergentes nas Américas do UBS Global Wealth Management.

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Isso foi particularmente relevante “considerando que as expectativas de inflação no Brasil continuam longe de estar ancoradas, além das preocupações fiscais relacionadas à eleição”.

Os mercados reagiram negativamente após a decisão, levando economistas a elevar suas projeções para a taxa Selic no fim do ano para 14%, indicando apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual.

A liquidação dos ativos também levou o Tesouro Nacional a cancelar um leilão programado de títulos públicos no mercado doméstico, enquanto o Banco Central atuou no mercado à vista de câmbio para injetar liquidez.

Para Benito Berber, economista-chefe para as Américas do Natixis, as perdas do real também refletem o enfraquecimento das expectativas de que um candidato de direita, favorável ao mercado, vencerá a eleição de outubro. Ainda assim, ele afirma que o movimento pode representar uma oportunidade de compra.

“Praticamente tudo o que poderia dar errado para o real, de fato, se materializou nas últimas semanas”, disse Berber. “Uma parcela significativa das notícias negativas já foi incorporada aos preços.”

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