Bloomberg — O petróleo operava em alta e derrubava os futuros de ações americanas e títulos do Tesouro dos Estados Unidos após um fim de semana turbulento no Oriente Médio lançar dúvidas sobre as perspectivas das negociações de paz antes de um prazo iminente de cessar-fogo.
O Brent subiu 6%, em direção a US$ 96 por barril, depois que a Marinha americana realizou a primeira apreensão de uma embarcação iraniana no Estreito de Ormuz. O Irã havia interrompido abruptamente o tráfego pela via aquática menos de 24 horas depois de dizer que os navios podiam passar.
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Os futuros do S&P 500 caíram 0,6%, com o índice prestes a interromper uma sequência de cinco altas consecutivas, durante as quais registrou uma série de recordes. As bolsas europeias recuaram 1,1%.
Os rendimentos dos títulos subiram com força na Europa, enquanto os movimentos nos Treasuries foram mais modestos. O ouro caiu abaixo de US$ 4.800 por onça, enquanto o dólar avançou 0,1%.
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O movimento de aversão ao risco desta segunda-feira (20) corrói uma recuperação que havia apagado todas as perdas provocadas pela guerra nas bolsas americanas.
O presidente Donald Trump e autoridades iranianas apresentaram visões divergentes sobre a próxima etapa da guerra, sem deixar claro se os lados se reuniriam para negociações na terça-feira, com a trégua prestes a expirar.
🔘 As bolsas na sexta-feira (17/04): Dow Jones Industrials (+1,79%), S&P 500 (+1,20%), Nasdaq Composite (+1,52%), Stoxx 600 (+1,56%), Ibovespa (-0,55%)
Ainda assim, os operadores do mercado acreditam que a pressão sobre ambas as partes para chegar a um acordo permanece alta, mesmo com a volatilidade das negociações tendendo a ser elevada.
A agência de notícias estatal do Irã citou o presidente Masoud Pezeshkian dizendo que a guerra não era do interesse de ninguém e que as vias diplomáticas deveriam ser usadas para reduzir as tensões.
“Embora os desdobramentos do fim de semana tenham certamente esfriado o otimismo, não o eliminaram por completo”, disse Stephan Kemper, estrategista-chefe de investimentos da BNP Paribas Wealth Management. “Os mercados continuam esperando uma solução de curto prazo que permita a retomada do fluxo de energia.”
O S&P 500 encerrou na sexta-feira (17) seu terceiro semana consecutiva de ganhos superiores a 3% e caminhava para sua maior alta mensal desde 2020. As grandes empresas de tecnologia foram as principais responsáveis pela recuperação, com as “Sete Magníficas” acumulando alta de 20% desde que o índice americano atingiu sua mínima de 2026 em 30 de março.
O grupo fez uma pausa nesta segunda-feira. Os papéis de Meta Platforms, Nvidia e Microsoft caiam mais de 1% no pré-mercado. O setor de tecnologia também liderou as perdas na Europa.
“Navegamos os mercados com a premissa de que as tensões atuais são temporárias e que acordos serão eventualmente alcançados”, disse Patrik Lang, estrategista-chefe de investimentos da Global Gate Asset Management. “Esta é uma dinâmica de curto prazo — os mercados vão, em última análise, ignorar o ruído e voltar a se concentrar no panorama mais amplo.”
Veja a seguir outros destaques desta manhã de segunda-feira (20 de abril):
- Petróleo em alta. O Brent subiu 6%, em direção a US$ 96 por barril, depois que a Marinha americana realizou a primeira apreensão de uma embarcação iraniana no Estreito de Ormuz. No fim de semana, o Irã interrompeu o tráfego pela via aquática menos de 24 horas depois de dizer que os navios podiam passar livremente.
- Emissões de títulos de emergentes. As ofertas de mercados emergentes voltaram a ganhar força. Neste mês, as emissões em dólares e euros de países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, já superam em cerca de 200% os volumes registrados em abril do ano passado, segundo dados da Bloomberg.
- Revolut mira IPO em dois anos. O CEO Nik Storonsky disse querer levar o banco digital à bolsa, mas não antes de 2028, estendendo o prazo de uma das ofertas mais aguardadas da Europa. “Daqui a dois anos”, disse Storonsky em entrevista a David Rubenstein, da Bloomberg TV.
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-- Com informações da Bloomberg News.
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