O que o balanço da Nvidia pode sinalizar sobre o futuro das big techs na bolsa

Fabricante de chips de IA é a última das grandes empresas de tecnologia dos EUA a divulgar seus números trimestrais nesta quarta (22)

Nvidia
Por Jeran Wittenstein - Carmen Reinicke
22 de Maio, 2024 | 10:45 AM

Bloomberg — Uma temporada de resultados surpreendentemente forte para as grandes empresas de tecnologia chega ao fim nesta quarta-feira (22), quando a Nvidia (NVDA), a gigante de chips de inteligência artificial, divulga seus números do primeiro trimestre e apresenta o guidance que pode definir o tom para o segundo semestre do ano.

Os investidores ficaram receosos quando as big techs começaram a divulgar seus balanços, com dúvidas sobre se a onda da IA tinha ido longe demais e se o grupo conseguiria atender às altas expectativas.

Um mês depois, a maior parte dessas preocupações foi dissipada, com o índice S&P 500 atingindo um recorde histórico devido aos fortes lucros corporativos.

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Neste contexto, a Nvidia chega com a expectativa de que confirmará o entusiasmo – e, potencialmente, oferecerá um vislumbre do futuro das ações.

Os papéis da empresa sobem na bolsa desde a divulgação dos resultados do quarto trimestre fiscal e suas perspectivas há um ano, com alta de 212% e adicionando cerca de US$ 1,5 trilhão em valor de mercado nos últimos 12 meses.

Com um valor de mercado de US$ 2,3 trilhões, o peso da Nvidia no S&P 500 é de mais de 5%, acima dos 2,2% de um ano atrás.

Queridinha de IA divulga seus números trimestrais nesta quarta (22)dfd

“Ela é a líder e, se a demanda continuar forte na Nvidia, isso significa que a demanda será forte em todos os setores”, disse Jay Woods, estrategista-chefe da Freedom Capital Markets. “Isso ditará não apenas a próxima etapa das ações baseadas em IA no setor de semicondutores, mas também poderá ditar o rumo dos mercados.”

As Sete Magníficas

Um índice que acompanha sete das maiores ações de tecnologia dos EUA atingiu um recorde de alta depois que os lucros de empresas como Microsoft (MSFT), Alphabet (GOOGL), controladora do Google, e Amazon (AMZN) mostraram que a demanda por serviços de IA está ajudando a impulsionar o crescimento da receita.

A Alphabet subiu 14% desde que superou as estimativas de vendas do primeiro trimestre e passou a pagar dividendos no mês passado. E a Apple (AAPL), cujas ações haviam caído até 14% este ano, está perto de apagar as perdas e registrar alta no ano após seus fortes resultados.

“O mercado obteve muito do que queria nesta temporada de lucros”, disse Phil Blancato, CEO da Ladenburg Asset Management e estrategista-chefe da Osaic Holdings, sua controladora. “A Nvidia é uma espécie de cereja no topo do bolo.”

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Índice das 7 Magníficas sobe para recordedfd

Após quatro trimestres consecutivos de lucros da Nvidia que ultrapassaram as estimativas de Wall Street, os investidores passaram a esperar que o desempenho se repita. O que é menos certo é como as ações responderão.

Os papéis subiram 0,1%, caíram 2,5% e saltaram 16% após os três últimos balanços da empresa, respectivamente. Com um movimento implícito de cerca de 8% no dia seguinte à divulgação dos lucros, trata-se de um evento de alto risco para todo o mercado.

As ações da Nvidia caíram 10% em 19 de abril, seu pior dia desde março de 2020, já que os investidores pareciam céticos em relação ao boom de IA.

Porém, os resultados subsequentes da Alphabet, Amazon, Microsoft e Meta Platforms (META), controladora do Facebook, mostraram o quanto as empresas estão planejando gastar em infraestrutura de computação. Isso ajudou a impulsionar as ações para um fechamento recorde na terça-feira (21).

“A demanda ainda está superando a oferta”, disse Mike Sansoterra, diretor de investimentos da Silvant Capital Management. “Sempre é possível uma reação exagerada em relação à alta e à baixa no curto prazo, mas os fundamentos não mudaram.”

Entusiasmo em declínio

Ainda assim, há sinais de que a exuberância está começando a desaparecer.

No mercado de opções, o prêmio das opções de compra (aposta na alta) da Nvidia em relação às opções de venda (aposta na queda) desapareceu nos últimos dois meses, uma indicação de que os investidores estão “hesitantes em assumir posições compradas antes do balanço”, disse Stuart Kaiser, chefe de estratégia de ações do Citigroup (C).

Nesse ponto, o debate é menos sobre se a Nvidia superará as expectativas, mas sobre o quanto acima do esperado seus resultados terão que ser para um novo rali das ações.

Para evitar um selloff, a empresa terá de superar as estimativas de lucros e vendas em pelo menos 15%, disse David Miller, gestor sênior da Catalyst Funds.

Em seu primeiro trimestre fiscal, a Nvidia deve gerar lucros de US$ 13,2 bilhões sobre vendas de US$ 24,7 bilhões, um aumento de 544% e 243%, respectivamente, em relação ao ano anterior.

A Nvidia superou sua previsão de receita em cerca de US$ 2 bilhões em cada um dos dois últimos trimestres, e os analistas do Morgan Stanley (MS), liderados por Joseph Moore, esperam um desempenho semelhante desta vez.

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No entanto, o lançamento de um novo chip, chamado Blackwell, programado para o final deste ano, deixou alguns investidores preocupados com o fato de que os clientes poderiam retardar as compras de seu antecessor até que o novo esteja disponível.

“Por enquanto, continuamos estimando um crescimento forte e estável, mesmo com a transição para o Blackwell”, escreveram os analistas em uma nota aos clientes na segunda-feira.

Além do Blackwell, há ainda a ciclicidade normal do setor de semicondutores, em que os booms de vendas podem ser seguidos por calmarias à medida que os clientes digerem seus estoques.

“Haverá um dia em que atingiremos uma bolsa de ar”, disse Kim Forrest, fundador e diretor de investimentos da Bokeh Capital Partners. “Não sei se será neste trimestre, no próximo trimestre, no próximo ano ou daqui a 10 anos, mas sei que essas vendas tendem a se adiantar e, em seguida, a ver uma pausa.”

-- Com a colaboração de Carly Wanna.

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