Bloomberg — A correção do S&P 500 se aproxima de sua fase final, mesmo com a continuidade da guerra contra o Irã, segundo estrategistas do Morgan Stanley, que ainda veem os aumentos de juros do Federal Reserve como um risco relevante para as ações.
Há sinais crescentes de que a queda do mercado acionário “está se aproximando de seu estágio final”, afirmou a equipe liderada por Michael Wilson, ao citar episódios anteriores de “sustos de crescimento” que não resultaram em recessão nem em aperto monetário adicional.
Os estrategistas destacam que mais da metade das ações do Russell 3000 já recuaram mais de 20% em relação às máximas de 52 semanas.
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Ao mesmo tempo, a relação entre preço futuro e lucro do S&P 500 caiu mais de 15%, indicando que o mercado vem incorporando de forma mais consistente os riscos ligados à guerra no Oriente Médio.
“Achamos que o mercado acionário está menos complacente com os riscos de crescimento do que o consenso acredita”, escreveram em nota divulgada na segunda-feira.
O S&P 500 acumula queda de 8,4% desde 27 de janeiro. As ações foram pressionadas por preocupações com inteligência artificial e pelo conflito, que fechou o Estreito de Ormuz, interrompendo uma rota estratégica para o fornecimento global de energia.
O petróleo Brent chegou a US$ 116,89 por barril na segunda-feira, com o envio de mais tropas dos EUA ao Oriente Médio e a entrada de militantes Houthi, apoiados pelo Irã no Iêmen, no conflito.
Para a equipe do Morgan Stanley, os mercados já precificaram, até aqui, o impacto de custos mais elevados de energia.
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O avanço dos preços do petróleo em relação ao ano anterior é cerca de metade do observado em episódios anteriores em que choques de oferta encerraram ciclos econômicos. Além disso, o crescimento positivo dos lucros tende a oferecer alguma proteção contra uma recessão.
“O mercado está dizendo que a probabilidade cumulativa dos caminhos para a retomada do fluxo de navios-tanque no Estreito é muito maior do que a probabilidade de recessão, e nós concordamos”, escreveram.
Ainda assim, os estrategistas alertam que a alta dos juros permanece como um risco de curto prazo para as ações americanas.
A sensibilidade do mercado acionário às taxas está próxima dos níveis mais elevados dos últimos anos, enquanto o rendimento do Treasury de 10 anos se aproxima de 4,5% — patamar que, historicamente, pressiona as avaliações.
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“Se o movimento nos rendimentos hoje está sendo impulsionado por considerações de inflação, por um Fed mais hawkish ou por preocupações com o déficit relacionado à guerra — ou por ambos —, achamos que essa é uma variável de risco importante a ser considerada”, afirmaram.
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