Bloomberg — O petróleo caminha para registrar a maior queda trimestral desde a pandemia, à medida que o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz se intensificava após avanços em um acordo de paz, enquanto o Morgan Stanley alertava para a possibilidade de um excesso de oferta no mercado.
O contrato mais negociado do Brent, para setembro, era cotado próximo de US$ 74 por barril, com os futuros do primeiro vencimento acumulando queda de quase um terço no trimestre — o maior recuo desde 2020.
O West Texas Intermediate (WTI) era negociado perto de US$ 70. O Irã reiterou sua determinação de controlar o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, mas o fluxo de navios deu sinais de aceleração pela primeira vez desde os ataques recentes na hidrovia.
À medida que o tráfego deixa de ficar represado em Ormuz, os carregamentos de petróleo passam a seguir para destinos mais distantes, enquanto o mercado tenta absorver esses volumes adicionais ao mesmo tempo em que rotas alternativas continuam em operação.
Como sinal de enfraquecimento do mercado, o petróleo do Mar do Norte foi ofertado na segunda-feira com o maior desconto em anos, e o preço de referência físico do Dated Brent despencou.
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O petróleo bruto caiu fortemente desde a reabertura do Estreito de Ormuz, à medida que os carregamentos que estavam retidos no Golfo Pérsico voltaram a chegar ao mercado. Ao mesmo tempo, o Irã recebeu isenções das sanções dos Estados Unidos para vender seu petróleo.
Os preços conseguiram evitar os cenários mais pessimistas no auge da crise graças a uma combinação de liberações recordes de estoques estratégicos, queda das importações chinesas de petróleo e embarques dos Estados Unidos para o exterior em níveis recordes.
“O Estreito está sendo reaberto mais rapidamente do que o esperado, enquanto os ‘dois fatores de ajuste’ — exportações elevadas dos EUA e importações reduzidas da China — permanecem em vigor”, escreveram em relatório os analistas do Morgan Stanley, entre eles Martijn Rats e Charlotte Firkins. “O resultado é um excesso de oferta física.”
O banco de Wall Street reduziu em um sexto suas projeções de preço para o benchmark físico no próximo trimestre e alertou que basta o fluxo pelo estreito se recuperar para cerca de 65% do nível anterior ao conflito para que haja excesso de oferta.
Washington e Teerã têm emitido sinais contraditórios sobre a próxima etapa das negociações para encerrar a guerra, que já dura quatro meses. Os Estados Unidos afirmaram que as conversas devem começar na terça-feira, em Doha. Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou, por meio do Telegram, que enviará uma delegação de especialistas, mas descartou negociações diretas.
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Teerã manterá os planos de supervisionar o tráfego no estreito, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores da República Islâmica, Kazem Gharibabadi. Segundo ele, o país pretende chegar a um acordo com Omã para regulamentar a hidrovia, mas seguirá adiante com seus próprios planos, se necessário, em declarações à televisão estatal.
“Os mercados costumam reagir ao sentimento de curto prazo”, disse Eric Van Nostrand, diretor de investimentos da Lazard, em entrevista à Bloomberg TV na segunda-feira.
“A percepção positiva de que o tráfego no Estreito de Ormuz está muito melhor do que na semana passada, em comparação com as semanas anteriores, tem levado muita gente a assumir posições especulativas apostando em um petróleo mais barato.”
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