Bloomberg — Michael Burry, o investidor famoso que tem chamado atenção nos últimos meses por suas críticas ao fenômeno da inteligência artificial, passou a apostar contra a Oracle.
Burry detém opções de venda (puts) sobre ações da Oracle (ORCL), afirmou o investidor em uma publicação no Substack após o fechamento dos mercados na sexta-feira (9). Em geral, opções de venda se valorizam quando o preço do ativo subjacente cai.
Burry, que em novembro revelou apostas pessimistas contra a Nvidia (NVDA), fabricante de chips de IA, e a Palantir Technologies (PLTR), também manteve posições vendidas diretas em Oracle nos últimos seis meses, segundo ele.
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A Oracle é conhecida por seus softwares de banco de dados, mas recentemente avançou de forma agressiva em serviços de computação em nuvem, o que exige investimentos elevados em capacidade de data centers e levou a empresa a assumir um volume significativo de dívida.
“Não gosto de como a empresa está posicionada nem dos investimentos que vem fazendo. Ela não precisava fazer o que está fazendo, e não sei por que está fazendo isso. Talvez seja ego”, escreveu Burry em resposta a um leitor que perguntou por que ele havia decidido apostar contra a Nvidia e não contra a Oracle. Ele não divulgou detalhes sobre as opções de venda.
A avaliação ocorre após um ano volátil para as ações da Oracle. O papel saltou 36% em uma única sessão em setembro, depois que a empresa divulgou uma projeção otimista para seu negócio de nuvem, sinalizando forte demanda ligada à inteligência artificial.
Esses ganhos, no entanto, se dissiparam rapidamente, à medida que investidores passaram a focar o aumento dos gastos de capital, dúvidas sobre a estrutura de alguns contratos de nuvem e o crescimento da dívida associada à expansão de data centers.
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A Oracle encerrou o ano cerca de 40% abaixo do pico registrado em setembro.
A Oracle tem cerca de US$ 95 bilhões em dívida em circulação, o que a torna a maior emissora corporativa fora do setor financeiro no índice de grau de investimento da Bloomberg.
A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário fora do horário comercial.
Burry, que ficou conhecido por apostar contra o mercado imobiliário dos Estados Unidos durante a crise financeira de 2008, afirmou que tem evitado vender a descoberto grandes empresas de tecnologia cujos negócios vão muito além da inteligência artificial, citando Meta Platforms (META), Alphabet (GOOG) e Microsoft (MSFT) como exemplos.
“Se eu vender Meta a descoberto, também estarei vendendo sua dominância em redes sociais e publicidade. Se eu vender Alphabet, estarei vendendo o Google Search em todas as suas formas, Android, Waymo etc. Se eu vender Microsoft, estarei vendendo um gigante global de software como serviço voltado à produtividade corporativa”, escreveu Burry. “As maiores não são apostas puras contra a IA.”
Segundo ele, essas empresas tendem, ao longo do tempo, a reduzir gastos, absorver perdas decorrentes de capacidade excessiva e possivelmente fazer baixas contábeis, ao mesmo tempo em que permanecem dominantes em seus negócios principais. “Essas três não vão desaparecer”, acrescentou.
Burry afirmou que venderia OpenAI a descoberto a uma avaliação de US$ 500 bilhões, reforçando seu ceticismo mais amplo em relação ao ritmo e à economia por trás da expansão da inteligência artificial.
Burry descreveu a Nvidia como a forma mais concentrada de expressar uma visão negativa sobre a tese de investimentos em inteligência artificial.
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