Ibovespa opera em queda após dados de emprego nos EUA acima do projetado

Mais cedo, o payroll dos Estados Unidos mostrou que foram criadas 272 mil vagas de emprego, enquanto o consenso de mercado apontava 180 mil; ações recuam em Nova York

Bloomberg Línea
07 de Junho, 2024 | 10:49 AM

Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) operava em queda nesta sexta-feira (7) com investidores reagindo à divulgação do relatório de empregos (payroll) dos Estados Unidos em maio. Às 12h35, no horário de Brasília, o principal índice dos mercados brasileiros recuava 0,70%, aos 122.014 pontos.

O dólar, no mesmo horário, subia 0,23%, para R$ 5,26.

Mais cedo, o payroll dos Estados Unidos veio acima do esperado. Em maio, foram criadas 272 mil vagas de emprego, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,0%.

O resultado veio acima da mediana das previsões de 77 economistas consultados pela Bloomberg, que previam a criação de 180 mil postos de trabalho. O número é maior do que o ganho médio mensal de 232 mil nos 12 meses anteriores.

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Nos EUA, os índices operavam em queda: o Nasdaq Composite caía 0,16%, e o S&P 500 tinha desvalorização de 0,25% por volta das 10h40.

Para Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, o resultado indica que o mercado de trabalho aquecido tende a pressionar ainda mais a inflação de serviços, que já roda em patamar elevado.

“Essa dinâmica dificulta uma queda mais rápida da inflação como um todo em direção à meta. Na nossa visão, aumenta a possibilidade de não haver cortes de juros nos EUA neste ano”, afirmou em comentário a clientes.

André Valério, economista sênior do Inter, ressalta que os dados do payroll foram contraditórios, uma vez que outros indicadores recentes do mercado de trabalho e da atividade econômica vieram abaixo do esperado, sugerindo uma desaceleração econômica.

“Dada essa incerteza, o Fed deverá se pautar ainda mais pelo comportamento da inflação, cuja variação referente a maio será divulgada na próxima quarta-feira, mesmo dia do anúncio da decisão do FOMC. Ainda mantemos expectativa de início do ciclo de cortes em setembro, condicionado à continuidade da queda do núcleo do PCE”, afirmou Valério em comentário a clientes.

-- Atualizada para incluir os comentários de economistas

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Tamires Vitorio

Jornalista formada pela FAPCOM, com experiência em mercados, economia, negócios e tecnologia. Foi repórter da EXAME e CNN e editora no Money Times.