Ibovespa fecha perto da estabilidade à espera de ata do Copom; Petrobras sobe

Principal índice da bolsa brasileira oscilou nesta segunda-feira, com os investidores de olho em dados de inflação e na ata do Copom; petroleiras sobem com avanço do petróleo

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25 de Março, 2024 | 05:47 PM

Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) fechou a sessão desta segunda-feira (25) perto da estabilidade, depois de oscilar durante o pregão enquanto investidores aguardam novos dados de inflação e comunicações do Banco Central que podem indicar os próximos passos da política monetária. Com isso, o principal índice da bolsa brasileira encerrou o dia com queda de 0,08%, aos 126.931 pontos. Já o dólar (USDBRL) caía 0,49% e era negociado a R$ 4,97.

Os ganhos foram puxados principalmente pela Petrobras (PETR3; PETR4), que subiu refletindo a alta dos preços do petróleo no mercado internacional. A cotação do West Texas Intermediate (WTI) operava com alta de 1,54% ao fim do pregão no Ibovespa, negociado a US$ 81,86 o barril. O avanço do petróleo sustentou também o avanço das petroleiras 3R (RRRP3), PetroReconcavo (RECV3) e Prio (PRIO3), que estavam entre as maiores altas.

Os futuros de petróleo subiram com o aumento das tensões geopolíticas e sinais de que a Opep+ manterá os atuais cortes de produção quando seus representantes revisarem o acordo na semana que vem.

Um ataque terrorista em Moscou no fim de semana deixou mais de 130 mortos, enquanto a investida de drones da Ucrânia mina a capacidade de refino da Rússia. Enquanto isso, os representantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados não veem necessidade de recomendar mudanças à atual política do cartel, segundo várias autoridades de diferentes países. O grupo se reunirá por videoconferência no dia 3 de abril para avaliar a implementação dos últimos cortes, que vigoram até o final de junho.

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Outras contribuições positivas foram a Natura &Co (NOTC3) e a Minerva (BEEF3).

Na outra ponta, os papéis da Vale (VALE3) caíram, refletindo a maior instabilidade com a geopolítica global e contribuíram para o desempenho negativo do Ibovespa. As ações da B3 (B3SA3), do Bradesco (BBDC4), da Braskem (BRKM5) e da CCR (CCRO3) tiveram quedas. O Grupo Casas Bahia (BHIA3) teve perdas antes da divulgação do resultado do quarto trimestre, após o fechamento do mercado.

Enquanto isso, investidores aguardam a divulgação de dados importantes que podem influenciar os próximos passos da política monetária. Nesta terça, será divulgada a ata da última reunião do Copom, que deve trazer mais informações sobre os próximos passos do Banco Central (BC) para a política monetária do país. No mesmo dia, será publicado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Investidores também aguardam a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, do Banco Central, na quinta-feira. Outro indicador amplamente aguardado é o Índice de Preços de Gastos de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, com divulgação prevista para sexta-feira. O indicador é o preferido do Federal Reserve para avaliar o comportamento dos preços no país. Os mercados estarão fechados na sexta-feira no Brasil e nos EUA para o feriado de Sexta-feira Santa.

Em entrevista à Bloomberg News, Eduardo Jarra, chefe de economia e estratégia da Santander Asset, disse que a gestora quer mais convicção sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed), no cenário internacional, e aguarda as próximas comunicações do Banco Central no âmbito local, sobretudo a ata do Copom, para definir sua estratégia para os ativos do país.

“Precisamos entender o que esses dados indicam: estamos em uma trajetória de atividade que pode ser um problema para o BC? É sob essa ótica que vamos avaliar os próximos dados”, disse.