Ibovespa fecha em queda com inflação mais aquecida nos EUA; dólar sobe a R$ 5,08

Ativos brasileiros tiveram recuo generalizado nesta quarta depois da divulgação de dados de março do CPI nos EUA e do IPCA no Brasil; Petrobras subiu com avanço do petróleo

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10 de Abril, 2024 | 05:49 PM

Bloomberg Línea — O avanço do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) em março, principal indicador de inflação dos Estados Unidos, reduziu as chances de um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) em junho, o que azedou o sentimento entre os investidores e provocou perdas nos mercados de ações nesta quarta-feira (10).

O Ibovespa (IBOV) fechou em queda de 1,41%, aos 128.054 pontos, seguindo os principais índices de Nova York. Nem mesmo a divulgação do IPCA, que teve um avanço menor do que o esperado em março e desacelerou em relação ao mês anterior, ajudou a aliviar as preocupações de investidores. O dólar (USDBRL) subia 1,32% e era negociado a R$ 5,08 no fechamento.

O CPI dos EUA subiu 0,4% em março, a mesma variação do mês anterior. O dado veio acima da variação de 0,3% esperada por economistas, mostrando a resiliência da economia americana e minando as esperanças de parte dos investidores de que a pressão inflacionária dos primeiros meses de 2024 fosse apenas passageira.

O núcleo do CPI de março, que exclui os custos de alimentos e energia, também aumentou 0,4% em relação a fevereiro, de acordo com dados do governo divulgados na quarta-feira. Em relação ao ano anterior, avançou 3,8%, mantendo-se estável em relação ao mês anterior.

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Os números de inflação – juntamente com o relatório de emprego divulgado na semana passada – complicam a perspectiva dos cortes de juros pelo Fed, de acordo com Tiffany Wilding, da Pacific Investment Management.

Os dados não só reforçam o argumento de que a primeira redução pode ocorrer só na segunda metade do ano, como também aumentam as probabilidades de que os EUA irão afrouxar a política monetário em um ritmo mais gradual do que outros países desenvolvidos, observou ela.

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“A inflação neste momento é como a ‘criança teimosa’ que se recusa a atender ao apelo dos pais para deixar o parquinho”, disse Jason Pride, de Glenmede. “Como resultado, os investidores devem estar preparados para um regime monetário mais apertado durante mais tempo.”

O ex-secretário do Tesouro, Lawrence Summers, deu um passo em frente ao dizer que seria necessário “levar a sério a possibilidade de que o próximo movimento das taxas seja para cima e não para baixo”. Essa probabilidade está em algum lugar na faixa de 15% a 25%, disse ele ao programa Wall Street Week, da Bloomberg Television, com David Westin.

No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,16% em março, após avançar 0,83% em fevereiro. O resultado veio abaixo do avanço de 0,25% esperado pelo mercado.

Apesar da leitura geral ter surpreendido para baixo, economistas ressaltam que a inflação de serviços subjacentes -- uma medida-chave para o Banco Central -- subiu 0,45% no mês, ainda em ritmo acelerado. O resultado indica que o BC pode ter dificuldades para reduzir a Selic para uma taxa de 9% ao final de 2024.

“Ainda vemos a inflação de serviços muito pressionada pelo mercado de trabalho aquecido, o que representa um risco altista para os juros. Por esse motivo, vemos chances de a autoridade monetária não chegar a uma taxa terminal de juros de 9% neste ano”, disse Claudia Moreno, economista do C6 Bank.

A projeção do banco é que a Selic fique em 9,25% ao final de 2024 e em 8,5% ao final de 2025. Para a inflação, a expectativa é de um IPCA de 4,7% no fim de 2024.

A pressão nos ativos brasileiros foi generalizada, com destaque para Vale (VALE3), Itaú Unibanco (ITUB4), B3 (B3SA3) e Eletrobras (ELET6), que ficaram entre as maiores contribuições negativas. A Petz (PETZ3) recuou mais de 6% depois de analistas do Bradesco BBI rebaixarem o papel da empresa para neutro e reduzirem o preço-alvo a R$ 4,50.

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Apenas cinco papéis que compõem o Ibovespa tiveram alta, quase todos ligados ao setor de petróleo: as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras (PETR3; PETR4), Prio (PRIO3), PetroRecôncavo (RECV3) e Embraer (EMBR3).

As petroleiras subiram com o avanço da cotação do petróleo no mercado internacional diante da preocupação com uma possível retaliação do Irã a um ataque de Israel ao consulado iraniano na Síria, que matou um general do país. No caso da Petrobras, os investidores também reagiram a especulações de que o governo afinal deve manter por ora Jean-Paul Prates na presidência da estatal, segundo informou a Bloomberg News.

As ações da 3R (RRRP3) caíram e os papéis da Enauta (ENAT3) -- fora do índice -- subiram depois de as companhias chegarem a um entendimento para um acordo de fusão, anunciado na noite de terça-feira (9).

- Com informações da Bloomberg News.