Futuros dos EUA operam em queda ante maior aversão ao risco dos investidores

Futuros do S&P 500 caem 0,2% e indicam a pior sequência semanal desde junho; movimento foi desencadeado pela postura linha-dura do presidente Donald Trump ao buscar maior controle sobre a Groenlândia

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Bloomberg — Os futuros de ações dos EUA operam em queda nesta sexta-feira (23) e passam a indicar perdas semanais consecutivas para o S&P 500 pela primeira vez desde junho de 2025. O movimento foi desencadeado pela escalada das ameaças do presidente Donald Trump ao buscar anexar a Groenlândia.

Os futuros do S&P 500 caíam 0,2%, sinalizando o fim de um rali de alívio de dois dias.

O dólar caminhava para a pior semana em sete meses, enquanto o rendimento dos Treasuries de 10 anos rondava o maior nível desde setembro. Em contraste, ações de mercados emergentes estenderam um início forte em 2026. O ouro chegou a ultrapassar US$ 4.950 a onça antes de devolver ganhos, mas seguia a caminho da melhor semana em quase seis anos.

Na Europa, as ações ficaram perto da estabilidade, com atenção voltada para a estreia em Amsterdã da fabricante de veículos blindados e munições CSG NV. O papel abriu em alta de 28% após o maior IPO já feito por uma empresa de defesa “pure play”, destacando o apetite crescente pelo setor.

“O desafio é fazer com que a situação geopolítica arrefeça para que o mercado volte a olhar fundamentos em vez de ruído”, disse Andrea Gabellone, chefe de ações globais da KBC Global Services.

“As projeções para o ano cheio de 2026 são, na minha visão, o dado mais crucial aguardado há bastante tempo, dadas as avaliações e expectativas de crescimento.”

Enquanto isso, o Banco do Japão manteve a taxa básica e revisou para cima suas projeções de inflação. Embora o presidente Kazuo Ueda tenha sinalizado que a inflação deve cair abaixo de 2% em breve, ele também deixou aberta a possibilidade de um aumento antecipado dos juros.

O iene passou a oscilar fortemente e virou para ganhos após perdas graduais ao longo do dia, deixando investidores atentos ao gatilho por trás do movimento.

“O desafio é calibrar altas de juros para sustentar o iene sem frear o crescimento”, escreveu Min Joo Kang, economista-chefe para a Ásia do ING Bank. “O momento é incerto, mas agora vemos uma alta em junho como cenário-base.”

Veja a seguir outros destaques desta manhã de sexta-feira (23 de janeiro):

- Cooperação China-Brasil. Xi Jinping e Lula prometeram aprofundar os laços China–Brasil em uma ligação telefônica, e projetaram unidade diante das mudanças geopolíticas impulsionadas por Donald Trump. Xi disse que os países devem defender o Sul Global e preservar o papel central da ONU, segundo informações da agência Xinhua.

- Subsidiária brasileira supera matriz. O valor de mercado da Telefônica Brasil superou o da controladora Telefónica pela primeira vez na história, o que mostra a perda de apelo da operadora espanhola junto aos investidores. Em 12 meses, as ações da Telefónica caíram 13%, enquanto a subsidiária brasileira subiu 40%.

- Futuro do TikTok. O aplicativo e sua controladora, a ByteDance, firmaram um acordo para transferir partes da operação nos EUA a investidores americanos e evitar uma proibição no país. A nova entidade terá Oracle, Silver Lake e MGX como controladores de 50%. O presidente Trump celebrou o acordo e parabenizou o líder chinês Xi Jinping.

🔘 As bolsas ontem (22/01): Dow Jones Industrials (+0,63%), S&P 500 (+0,55%), Nasdaq Composite (+0,91%), Stoxx 600 (+1,03%), Ibovespa (+2,20%)

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-- Com informações da Bloomberg News.

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