Bloomberg — Os futuros de ações dos EUA operam em alta nesta quarta-feira (21), após o S&P 500 ter registrado a maior queda em três meses na véspera. Investidores aguardam o discurso do presidente Donald Trump em Davos, à medida que a ameaça dos EUA de tomar o controle da Groenlândia enfrenta resistência da Europa.
Os contratos do principal índice americano avançaram 0,3% após a queda de 2,1% na sessão anterior. A pressão vendedora diminuiu depois que Trump adotou um tom mais conciliador antes de sua fala no World Economic Forum, embora tenha mantido a posição de que os EUA deveriam assumir o controle da Groenlândia, atualmente sob soberania da Dinamarca.
O sentimento também foi impulsionado por uma forte recuperação dos títulos japoneses de longo prazo, que deu suporte aos mercados globais de dívida. Ainda assim, o clima seguiu cauteloso, com investidores alertando que o governo e o banco central do Japão talvez precisem fazer mais para estabilizar os mercados diante de preocupações fiscais antes de uma eleição marcada para 8 de fevereiro.
O rendimento dos Treasuries americanos de 30 anos recuou dois pontos-base, para 4,90%. Metais preciosos continuaram sendo a principal escolha de proteção, com o ouro se aproximando de US$ 4.900 por onça e a prata renovando máxima histórica. O dólar interrompeu uma sequência de três dias de queda. As ações europeias e asiáticas recuaram, acompanhando as perdas tardias em Wall Street.
“Apesar de todo o ruído geopolítico, estamos diante de uma correção puramente técnica nos mercados acionários, não de um movimento generalizado de aversão a risco”, disse Roberto Scholtes, chefe de estratégia do Singular Bank. “Declarações conciliatórias de Trump certamente melhorariam o humor dos mercados, mas, na minha visão, não desencadeariam um rali forte a menos que as curvas de juros recuem.”
Trump deveria discursar em Davos às 14h30 (hora local), mas sua participação foi adiada após problemas técnicos em sua aeronave. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o presidente provavelmente chegaria com cerca de três horas de atraso, embora o cronograma ainda não estivesse definido.
Veja a seguir outros destaques desta manhã de quarta-feira (21 de janeiro):
- UE ‘pronta’ para retaliar Trump. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o bloco está preparado para responder às ameaças tarifárias de Donald Trump, depois que o presidente dos EUA vinculou as tarifas ao controle da Groenlândia. Segundo ela, a Europa está pronta para agir “com unidade, urgência e determinação”.
- China no radar da Nike. A companhia anunciou a saída de Angela Dong da liderança da Grande China, em meio à tentativa de reverter a queda nas vendas no mercado. Ela será substituída por Cathy Sparks, enquanto o CEO Elliott Hill busca acelerar mudanças estratégicas na região. As vendas na China caíram 17% no último trimestre.
- Corrida pelo ouro. O metal precioso ampliou a alta recorde em meio à escalada de tensões sobre a Groenlândia e maior procura por ativos considerados mais seguros. O cobre também subiu após projeções otimistas do Goldman Sachs. Analistas projetam US$ 4.900 por onça como o próximo patamar para o ouro.
🔘 As bolsas ontem (20/01): Dow Jones Industrials (-1,76%), S&P 500 (-2,06%), Nasdaq Composite (-2,39%), Stoxx 600 (-0,7%), Ibovespa (-0,87%)
→ Assine a newsletter matinal Breakfast, uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque em negócios e finanças no Brasil e no mundo.
-- Com informações da Bloomberg News.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Nubank desbanca Itaú BBA e XP e leva naming rights do Ironman no Brasil, dizem fontes