Bloomberg — As ações europeias operam em queda nesta segunda-feira (19), depois que o presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas a países que se opõem a seus planos de controlar a Groenlândia. Não haverá negociação à vista de Treasuries nem de ações nos EUA por causa de um feriado.
O índice Stoxx 600 recuou 1,1% após Trump anunciar uma nova tarifa de 10% sobre oito países que disseram que realizariam exercícios de planejamento militar no território dinamarquês semiautônomo. As ações de montadoras como a BMW AG lideraram as perdas, enquanto um grupo de papéis do setor de defesa avançou.
Os contratos futuros do S&P 500 caíram 0,9%, enquanto as ações asiáticas oscilaram. A busca por proteção levou o ouro acima de US$ 4.650 a onça e impulsionou a prata, com ambos os metais atingindo novos recordes. O bitcoin recuou.
O dólar caiu 0,1%, e os futuros dos Treasuries ficaram praticamente estáveis, enquanto os títulos da Alemanha e da França registraram ganhos modestos. Não haverá negociação à vista de Treasuries nem de ações nos EUA por causa de um feriado.
As preocupações com tarifas voltam à tona em um momento em que o apetite por risco vinha sendo sustentado por resultados corporativos resilientes e investimentos contínuos em inteligência artificial.
O cenário dependerá em parte de como a Europa calibrará sua resposta, com a União Europeia discutindo a imposição de tarifas retaliatórias sobre € 93 bilhões em produtos americanos.
“Os mercados são sensíveis às mudanças dinâmicas relacionadas a novas tarifas como base para negociar questões de segurança”, disse Guillermo Hernandez Sampere, chefe de operações da MPPM.
“O aumento da incerteza, como visto no ano passado, pesará sobre todos os mercados. O fórum que começa hoje em Davos refletirá a situação atual.”
A UE também avalia contramedidas adicionais além das tarifas, mas deve primeiro tentar uma solução diplomática, segundo pessoas a par das discussões. Representantes dos 27 países do bloco se reuniram no domingo para começar a preparar opções. Trump deve discursar em Davos na quarta-feira.
“O desfecho dessas novas tensões comerciais é incerto, mas o que há muito tempo ficou evidente é que não existe mais segurança em comércio ou tarifas”, escreveram analistas liderados por Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING Bank, em nota a clientes. “O que é claro é que uma guerra comercial em larga escala entre a UE e os EUA só deixaria perdedores.”
As ameaças de Trump levantam a possibilidade de governos europeus reduzirem suas participações em ativos americanos, o que daria suporte ao euro, segundo George Saravelos, chefe global de pesquisa em câmbio do Deutsche Bank.
A Europa é a maior credora dos EUA, com seus países detendo US$ 8 trilhões em títulos e ações americanas — quase o dobro do total do resto do mundo combinado.
Veja a seguir outros destaques desta manhã de segunda-feira (19 de janeiro):
- Groenlândia na mira de Trump. A ameaça do presidente dos EUA de anexar o território foi considerada um “limite” pela Alemanha, que defende acionar mecanismos da União Europeia contra a coerção econômica, segundo o ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil. “Os limites já foram atingidos”, disse o porta-voz.
- Sinais de desaceleração na China. A economia do país bateu a meta de crescimento de 5% em 2025, mas perdeu fôlego ao longo do ano, com expansão de apenas 4,5% no último trimestre. Para 2026, o cenário segue desequilibrado: Pequim tende a evitar um grande estímulo, apesar de desafios como deflação persistente e crise imobiliária.
- Apple avança na China. A big tech retomou a liderança na China após as vendas de iPhone crescerem 28% no trimestre encerrado em dezembro, impulsionadas pela maior procura pelo iPhone 17, apesar da escassez global de chips de memória, segundo dados da Counterpoint Research.
🔘 As bolsas na sexta-feira (16/01): Dow Jones Industrials (-0,17%), S&P 500 (-0,08%), Nasdaq Composite (-0,06%), Stoxx 600 (-0,03%), Ibovespa (-0,46%)
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-- Com informações da Bloomberg News.
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