Bloomberg — Dois meses depois que a Ford Motor se tornou a mais recente fabricante da “velha economia” a ser arrastada pela onda de alta impulsionada pela inteligência artificial, os investidores buscam provas de que esse entusiasmo era justificado.
As ações da montadora sediada em Michigan subiram 44% em maio, à medida que os investidores apostaram que seu negócio de armazenamento em baterias se beneficiaria da crescente demanda por energia para centros de dados de IA.
Enquanto a empresa se prepara para divulgar seus resultados após o fechamento do mercado nesta terça-feira, os investidores estarão atentos a novidades sobre parcerias que confirmem essas expectativas.
Embora o entusiasmo tenha esfriado desde o melhor mês da Ford desde a crise financeira, as ações permanecem acima dos níveis anteriores à alta.
Isso apesar dos analistas alertarem que o armazenamento de energia ainda está a anos de distância de gerar lucro.
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“O mercado vai reagir ao fato de a empresa estar realmente acumulando uma carteira de pedidos, o que dá visibilidade aos investidores de que essa oportunidade de lucro é, de certa forma, segura”, disse o analista do Morgan Stanley, Andrew Percoco.
“O mercado não vai esperar até que você realmente comece a ver os números se concretizarem em 2028.”
As avaliações altíssimas das megatech e das empresas que fabricam semicondutores e outros componentes de hardware levaram os investidores a buscar oportunidades mais tangenciais na revolução da IA.
Ações do setor industrial e automotivo têm sido beneficiárias em especial. O mercado investiu maciçamente na fabricante de escavadeiras Caterpillar e nas fornecedoras automotivas BorgWarner e Aptiv, antes de se voltar para a Ford, devido ao potencial dessas empresas de contribuir para o desenvolvimento da autonomia.
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Durante a assembleia anual da empresa em maio, o diretor executivo Jim Farley classificou o armazenamento de energia como um “desenvolvimento de mercado anticíclico, de alto crescimento e alta margem para a Ford”.
As estimativas para os lucros ajustados da Ford em 2026 aumentaram cerca de 11% nos últimos três meses, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
É uma decisão inteligente da Ford tentar competir no setor de armazenamento de energia, e os sistemas de energia são uma das maiores áreas em atraso no campo da IA, afirmou Brian Mulberry, gestor de portfólio e estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management, que detém ações da Ford.
“Isso destacará e valorizará a marca da empresa, mostrando que ela busca ser mais moderna e mais alinhada com as tendências atuais”, disse Mulberry. “Acredito que isso possa ser realmente benéfico para a empresa.”
Percoco, que cobria o setor de tecnologia limpa antes de passar para o setor automotivo, deu início à alta inicial. Ele escreveu que o negócio de armazenamento de energia da Ford e a parceria com a Contemporary Amperex Technology (CATL), líder chinesa no setor de baterias, poderiam valer US$ 10 bilhões e levar a acordos com hiperescaladores.
Ele ainda vê isso como uma grande oportunidade. As margens da unidade de energia da fabricante de veículos elétricos Tesla são, historicamente, quase o dobro das do negócio principal de automóveis, e Percoco espera que o mesmo se aplique à Ford à medida que ela expande seus negócios.
A Tesla oferece armazenamento de energia há anos, e o segmento representou mais de 13% de sua receita em 2025.
Ele prevê que o negócio de armazenamento de energia da Ford ganhe impulso em 2027 e atinja seu ritmo de pleno funcionamento a partir do final de 2028. Enquanto isso, a administração terá que fornecer atualizações contínuas sobre as parcerias para manter o entusiasmo dos investidores, afirmou Percoco, que atribui uma classificação de “peso neutro” às ações da empresa.
Em um sinal de que o otimismo em relação às perspectivas do negócio continua forte, o analista da Jefferies, Philippe Houchois, elevou nesta semana a recomendação das ações da Ford de “manter” para “comprar”, citando o armazenamento de energia entre os motivos.
O analista do Bank of America, Alexander Perry, afirmou em uma nota de 15 de julho que os investidores estarão atentos a possíveis anúncios de novos clientes no setor de energia.
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O analista do BNP Paribas, James Picariello, afirmou que levará vários anos, mesmo além de 2028, para que a Ford amplie suas parcerias de armazenamento de energia a fim de atingir a capacidade pretendida.
Até o momento, a Ford Energy fechou um acordo com a EDF Power Solutions North America.
Quando a General Motors Co. anunciou sua própria incursão no setor de armazenamento de energia, isso não causou grande repercussão no mercado.
O investimento da GM na startup Peak Energy Technologies é relativamente pequeno, precisa de tempo para se expandir e carece do prestígio da marca CATL, parceira da Ford.
As ações da Ford subiram 20% desde que a empresa divulgou seus últimos resultados financeiros, em abril. No mesmo período, as ações da GM valorizaram 14%, enquanto as ações da Stellantis listadas nos EUA caíram 26%.
No entanto, com exceção de seu recente desempenho superior, a Ford tem ficado atrás da GM no que diz respeito ao seu negócio principal. As ações da GM subiram quase 60% nos últimos cinco anos, em comparação com um avanço de 6,5% para a Ford.
Os resultados do segundo trimestre da GM superaram as estimativas dos analistas, e a empresa elevou sua previsão de lucro para o ano inteiro, levando as ações a uma alta de quase 9% na semana passada.
A Ford talvez precise arriscar mais para impulsionar sua marca e elevar o preço de suas ações, enquanto sua vizinha e concorrente pode contar com seu negócio principal, de acordo com Picariello, do BNP Paribas, que mantém uma classificação equivalente a “manter” para a Ford e uma classificação equivalente a “comprar” para a GM.
“Os números não mentem. A Ford não está tendo um desempenho tão bom quanto o da GM. Sem dúvida, há mais lacunas a serem preenchidas pela Ford”, afirmou Picariello.
--Com a colaboração de Keith Naughton.
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