Fed mantém taxa de juros dos EUA em meio a incerteza econômica com guerra no Irã

Comitê Federal de Mercado Aberto alegou que As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas e que indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido

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Bloomberg Línea — O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Federal reserve decidiu manter as taxas de juros nos Estados Unidos inalteradas no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, em decisão anunciada na tarde desta quarta-feira (18)

Segundo o comitê, os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido, e a inflação permanece um pouco elevada. O comunicado alega que o Comitê está fortemente comprometido em apoiar o máximo emprego e retornar a inflação à sua meta de 2% ao ano.

“A criação de empregos permaneceu baixa e a taxa de desemprego apresentou pouca variação nos últimos meses.”

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Além disso, alega que a incerteza quanto às perspectivas econômicas permanece elevada. “As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato.”

O comitê votou por 11 a 1 para manter a taxa básica de juros dos fundos federais. O dirigente Stephen Miran discordou, defendendo uma redução de 0,25pp.

Esta é a segunda vez consecutiva que as autoridades mantêm as taxas de juros inalteradas, embora o cenário econômico tenha mudado significativamente desde a última reunião.

Em janeiro, os dirigentes sinalizaram crescente confiança na estabilização da taxa de desemprego. Logo depois, vários deles demonstraram a intenção de manter as taxas por um período prolongado para ajudar a reduzir a inflação.

Em seguida, veio um relatório de emprego de fevereiro fraco, que lançou novas dúvidas sobre a estabilidade do mercado de trabalho.

Os ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro, também causaram uma disparada nos preços globais do petróleo, ameaçando impulsionar a inflação e prejudicar o crescimento e o emprego.

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As autoridades retiraram do comunicado de janeiro a menção de que o mercado de trabalho apresentava sinais de estabilização. Em vez disso, afirmaram que a taxa de desemprego havia sofrido “pouca alteração nos últimos meses”.

Os investidores reagiram à guerra reduzindo suas expectativas de cortes nas taxas de juros em 2026, embora ainda vejam uma redução até o final do ano, de acordo com a cotação dos contratos futuros de federal funds. O presidente Donald Trump pediu na segunda-feira um corte imediato nas taxas de juros.

Em uma nova série de projeções de taxas de juros, as autoridades continuaram a prever um corte de 0,25 ponto percentual em 2026 e outro em 2027. Nenhum membro do comitê de políticas indicou preferência por aumentar as taxas neste ano.

Em suas projeções econômicas atualizadas, os dirigentes revisaram ligeiramente para cima a perspectiva de crescimento para 2026, para 2,4%, ante os 2,3% previstos em dezembro. A previsão de desemprego permaneceu inalterada em 4,4% para o final de 2026.

As autoridades também elevaram sua previsão para a inflação de 2026 de 2,4% para 2,7%. Notavelmente, elas previram que o núcleo da inflação — que exclui as categorias voláteis de alimentos e energia — também subirá para 2,7%.

Normalmente, os bancos centrais não aumentam as taxas de juros quando os preços da energia disparam, pois o impacto na inflação é temporário. Mas essa abordagem depende da expectativa do público de que a inflação se estabilize em torno da meta de 2% do Fed no longo prazo.

Após cinco anos de inflação elevada, alguns dirigentes temem que as expectativas possam aumentar, embora a maioria das pesquisas e indicadores de mercado permaneçam sob controle.

-------- Com informações da Bloomberg News