Bloomberg Línea — O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Federal Reserve decidiu manter as taxas de juros nos Estados Unidos inalteradas no intervalo entre 3,50% e 3,75%, em decisão anunciada na tarde desta quarta-feira (28).
Segundo o FOMC, os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica dos EUA tem se expandido a um ritmo sólido e inflação permanece um pouco elevada. Entretanto, “a criação de empregos permaneceu baixa e a taxa de desemprego apresentou alguns sinais de estabilização”, diz o comunicado.
O comitê reforça que busca alcançar o máximo emprego e uma inflação de 2% no longo prazo, e que a incerteza sobre as perspectivas econômicas no país permanece elevada. “O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato”, diz o comunicado.
“Ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais à meta para a taxa de juros dos fundos federais, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o equilíbrio de riscos”, diz.
A decisão era amplamente esperada no mercado financeiro diante dos mais recentes indicadores de inflação e mercado de trabalho.
Foi a primeira pausa do ciclo esperado de corte de juros nos EUA depois de três reduções seguidas nas três últimas reuniões de 2025.
A inflação ao consumidor nos Estados Unidos medida pelo CPI segue acima da meta perseguida pelo Fed de 2,0% - estava em 2,7% em 12 meses na medição de dezembro.
Às 16h30 (no horário de Brasília), o presidente do Fed, Jerome Powell, concederá a sua habitual entrevista coletiva que se segue ao anúncio da decisão do FOMC.
No começo da tarde em Nova York, os principais índices de ações operavam perto da estabilidade, com investidores atentos também aos resultados trimestrais de big techs que serão divulgados entre esta quarta e a quinta (29).
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Foi a primeira reunião de 2026 e também desde que foi relevado que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciou uma investigação sobre a reforma do prédio do Fed em Washington DC, no que foi descrito pelo presidente do banco central e analistas, executivos e economistas de mercado como uma tentativa de intimidação da parte do presidente Donald Trump.
Da mesma forma, foi também a primeira reunião desde o mais recente movimento de desvalorização do dólar, na esteira da busca por diversificação de parte de investidores diante da percepção de aumento de risco de ativos americanos com a ofensiva de Trump para tomar a posse da Groenlândia a qualquer custo.
-- Em atualização.
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