Bloomberg Línea — A recente desaceleração do preço do ouro não altera as perspectivas de médio prazo para o metal precioso, cujos fatores estruturais de sustentação “continuam sólidos”, de acordo com um relatório da holding financeira suíça Lombard Odier.
O levantamento, assinado pelo estrategista global de moedas Kiran Kowshik, afirma que a recente estabilização dos preços não representa uma mudança estrutural e mantém um preço-alvo de US$ 5.400 por onça para os próximos 12 meses, além de uma recomendação de sobreponderação do ouro nas carteiras.
Atualmente, o metal precioso está cotado em cerca de US$ 4.500 a onça troy, cerca de US$ 900 abaixo do pico atingido em janeiro.
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Enredo estrutural
“O arrefecimento do ânimo dos investidores não enfraquece o argumento estrutural a favor do ouro”, indicou o relatório.
Segundo a instituição, os principais fatores impulsionadores de longo prazo continuam sendo a demanda dos bancos centrais, a alocação de carteiras e a incerteza fiscal.
O documento destacou que o ouro apresentou maior volatilidade desde o início do conflito no Oriente Médio e caiu mais de 10% desde então, em um contexto de aumento dos preços da energia, alta dos rendimentos e fortalecimento do dólar americano.
No entanto, a Lombard Odier considerou que esses fatores são temporários. “A desaceleração do ritmo não deve ser confundida com uma mudança estrutural de tendência”, afirmou.
Entre os fatores que sustentam o metal, o relatório destacou que a oferta de ouro se manteve historicamente estável, com uma produção mineira anual que contribui com pouco mais de 1% para os estoques globais acumulados.
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Além disso, ele destacou que o ouro não está sujeito a sanções financeiras, o que impulsionou o interesse dos bancos centrais após as sanções impostas pelos Estados Unidos à Rússia.
De acordo com o documento, à medida que mais países diversificam gradualmente o uso do dólar e realizam transações comerciais em outras moedas, aumenta a demanda por ativos de reserva neutros, como o ouro.
O relatório também destacou que a incerteza fiscal e a inflação ainda elevada sustentam a demanda dos investidores privados, uma vez que o metal funciona como ferramenta de diversificação de carteiras.
“Quando os investidores questionam a trajetória de longo prazo da dívida pública, a capacidade de financiar déficits ou a credibilidade das políticas econômicas, cresce a demanda por ativos diversificados”, afirmou.
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No que diz respeito à demanda, a Lombard Odier destacou que, desde 2023, a média trimestral situou-se em cerca de 620 toneladas, acima das 450 toneladas registradas entre 2010 e 2022.
Dados do Conselho Mundial do Ouro citados no relatório mostram que a demanda total atingiu 790 toneladas no primeiro trimestre de 2026. Desse total, os bancos centrais compraram, em termos líquidos, 244 toneladas, um aumento de 3% em relação ao ano anterior.
A entidade também considerou que os bancos centrais podem contribuir para estabelecer um “piso” mais alto para o preço do metal, especialmente diante da volatilidade dos fluxos privados.
No que diz respeito aos riscos, o relatório mencionou a possibilidade de taxas de juros reais elevadas por mais tempo, uma queda prolongada na demanda por ETFs com lastro físico ou uma redução na demanda física, como a relacionada ao setor de joalheria.
Mesmo assim, a Lombard Odier afirmou que o cenário estrutural permanece inalterado e reiterou que a demanda resiliente, a incerteza fiscal e a erosão gradual do poder de compra do dólar continuam a sustentar o ouro.