Efeito IA vai além da tecnologia e impulsiona lucro em todos os setores do S&P 500

Pela primeira vez desde 2021, todo o S&P 500 deve registrar crescimento dos lucros enquanto indústria, consumo, bancos e saúde começam a capturar os benefícios dos investimentos bilionários em data centers e inteligência artificial, segundo dados da Bloomberg Intelligence

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Bloomberg — A próxima temporada de balanços deve mostrar força generalizada, com os benefícios dos gastos com inteligência artificial começando a se espalhar pela economia.

Todos os setores do S&P 500 devem registrar crescimento dos lucros no terceiro trimestre, algo que não ocorre desde 2021, quando as empresas americanas saíram da retração provocada pela pandemia, segundo dados da Bloomberg Intelligence.

“Os resultados começaram a ganhar força de forma mais ampla — já no último trimestre, vimos números bem acima das expectativas também entre empresas que não estão ligadas à IA”, disse Ohsung Kwon, estrategista-chefe de ações da Wells Fargo, em entrevista. “Estamos começando a ver uma força mais disseminada nos lucros.”

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Empresas industriais que fabricam produtos como bombas de vácuo, sistemas de refrigeração e revestimentos especiais de tinta viram a receita disparar com a continuidade da construção de data centers, que alimenta a demanda por esses produtos.

Empresas de consumo também se beneficiam da expansão da IA, que cria empregos e demanda por moradia, enquanto a valorização das carteiras de ações estimula as pessoas a gastar mais com compras, viagens e refeições fora de casa.

“O tema predominante, que também tem impulsionado essa ampliação, está relacionado à escala dos investimentos de capital ligados à IA”, disse Venu Krishna, chefe de estratégia de ações dos EUA no Barclays.

“O montante é tão elevado que o que as hyperscalers gastam em capex de IA se transforma, na prática, em receita para uma série de outros setores, seja armazenamento, hardware, segmentos da indústria, de energia ou de serviços públicos.”

Os grandes vencedores dos últimos trimestres — Big Tech e petróleo — ainda devem se destacar, com crescimento dos lucros muito superior ao dos demais setores, de 62% e 111%, respectivamente. O restante do índice também deve avançar, com uma gama maior de empresas se beneficiando do uso crescente da IA.

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“Quando os juros sobem, os empregos na construção civil estão entre os primeiros afetados, mas não vimos isso porque o crescimento dos data centers foi tão expressivo que a maior parte da mão de obra foi realocada”, disse Krishna.

A Aramark elevou as projeções pela segunda vez neste ano após fechar novos contratos com operadoras de data centers para prestar serviços de alimentação, limpeza e transporte nos complexos dessas empresas. Os acordos devem gerar entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões em receita adicional nos próximos dois anos.

Empresas de consumo também começam a tirar proveito da implementação da IA nas próprias operações. Investimentos em ferramentas de compras baseadas em IA, atendimento ao cliente e distribuição podem tornar a fabricante de roupas infantis Carter’s mais eficiente e ajudar a ampliar as margens, segundo Mary Ross Gilbert, da BI.

O setor de saúde do índice deve voltar a registrar crescimento dos lucros neste trimestre, enquanto os bancos devem apresentar expansão de dois dígitos. Empresas desses setores estão entre as mais dispostas a quantificar os ganhos relacionados à IA, como redução de custos ou aumento de produtividade, segundo pesquisa liderada por Krishna, do Barclays.

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Empresas de serviços financeiros também devem lucrar com possíveis ofertas públicas iniciais de grande porte de companhias de IA, enquanto bancos regionais tendem a se beneficiar do aumento da riqueza que circula em comunidades onde há data centers, disse Kwon.

Embora setores como bens de consumo básico, imobiliário e indústria devam apresentar crescimento sólido nos próximos trimestres, ainda há alguns pontos de pressão.

No setor financeiro, a indústria de seguros caminha para uma queda dos lucros no terceiro trimestre diante do enfraquecimento dos preços do aumento dos custos com sinistros.

O segmento de mídia e publicidade, que integra serviços de comunicação, é prejudicado por orçamentos de marketing mais apertados e por clientes que recorrem à IA para criar as próprias campanhas.

O boom de gastos com IA traz riscos por estar tão estreitamente vinculado a um único setor, disse Kwon. Ele acrescentou que adotou uma postura mais cautelosa em relação às ações há algumas semanas devido a preocupações com a continuidade dos investimentos de capital ligados à IA.

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Entre os possíveis desafios estão a alta dos juros e a crescente pressão sobre os mercados de crédito, segundo Krishna.

A crescente reação contrária em algumas comunidades onde data centers estão sendo construídos, além dos recentes apelos de importantes líderes da área de IA por uma possível desaceleração no desenvolvimento de poderosos modelos de fronteira devido a preocupações com segurança, podem aumentar a incerteza.

“Moratórias para data centers, especialmente com a aproximação das eleições de meio de mandato, também representam, na minha opinião, um grande risco, sobretudo para o sentimento do mercado”, disse Kwon, acrescentando que eventuais atrasos na construção de data centers seriam negativos para ações de IA e tecnologia. “A aposta em IA é, neste momento, essencialmente uma aposta nos gargalos, e qualquer atraso aliviaria esse gargalo pelo menos um pouco.”

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