Dólar em baixa? Essa foi a aposta de gestores nos EUA antes dos dados de emprego

Posições vendidas subiram pela sexta vez seguida na última semana, mas força do mercado de trabalho revelada no payroll de maio voltou a impulsionar o valor da moeda americana

Trading On The Floor Of The NYSE As U.S. Stocks Decline With Treasuries
Por Ruth Carson - Masaki Kondo
10 de Junho, 2024 | 09:26 AM

Bloomberg — Gestores de ativos aumentaram suas apostas de que o dólar perderá força, em movimento feito pouco antes da divulgação de dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos em maio na última sexta-feira (7), que revelaram uma resiliência acima da esperado e, como consequência, impulsionaram a moeda para o maior patamar em um mês.

Fundos aumentaram suas posições líquidas vendidas em dólar pela sexta semana consecutiva, a sequência mais longa desde 2022, de acordo com dados da Commodity Futures Trading Commission compilados pela Bloomberg.

A expansão de vagas registradas no payroll em maio, no entanto, excedeu todas as estimativas dos economistas, o que provocou uma debandada de investidores para o dólar, dado que os traders adiaram as expectativas sobre quando o Federal Reserve cortará as taxas de juros.

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Um mercado de trabalho resiliente nos EUA “deve ajudar a definir um tom mais firme para o dólar” na decisão de política do Fed desta semana, escreveram em uma relatório estrategistas do Goldman Sachs, incluindo Kamakshya Trivedi.

“Ainda achamos que o dólar será o ‘porto seguro’ para os fluxos de portfólio nos próximos meses”, em meio à incerteza das próximas eleições em novembro e aos retornos dos ativos.

Gestores ampliaram a posição vendida em dólar pela sexta semana consecutiva antes do payroll de maio (Fontes: Bloomberg e CFTC)dfd

O dólar avançou em relação a todos os seus pares do G10 (Grupo dos 10) na sexta, com o indicador de dólar da Bloomberg registrando seu maior ganho em um dia desde janeiro, depois que o relatório de empregos “destruiu as expectativas de uma mudança de política do Fed no curto prazo.

Os defensores do dólar podem ver sua determinação testada novamente nesta quarta-feira (12), quando os formuladores de política monetária do Federal Reserve atualizarem suas previsões para as taxas de juros pela primeira vez em três meses.

O equivalente a 41% dos economistas prevê que o Fed sinalizará dois cortes em seu “gráfico de pontos” - “Dot Plot” -, que é acompanhado de perto pelo mercado, de acordo com a estimativa mediana em uma pesquisa da Bloomberg. É o mesmo percentual daqueles que esperam que as previsões mostrem apenas uma redução ou nenhuma.

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A moeda americana ampliou seus ganhos no início das negociações desta segunda-feira na Ásia, com o Bloomberg Dollar Spot Index subindo pelo terceiro dia seguido.

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“Há um pequeno risco de que eles possam descartar completamente os cortes nas taxas neste ano, devido à força do mercado de trabalho”, escreveu Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB, em uma nota. Isso pode “desencadear um aumento nos rendimentos dos títulos, uma força generalizada do dólar e uma fraqueza das ações”, disse ela.

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