Dólar a R$ 4,75? ING projeta real forte, mas condiciona cenário ao Fed e à inflação

Banco atualizou suas projeções para o mercado cambial e manteve uma visão favorável para várias moedas da América Latina, embora tenha alertado que o panorama dependerá de índices como uma queda nos preços de energia e uma política sem mudanças do Fed

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Bloobmerg Línea — A trajetória do dólar voltará a depender de dois dados da inflação nos Estados Unidos antes da reunião de setembro do Federal Reserve. Para o ING, essas divulgações definirão se as moedas da América Latina manterão o ímpeto recente ou enfrentarão uma mudança de tendência.

O banco, que atualizou nesta quinta-feira (6) suas projeções para o dólar, afirmou que o cenário “depende em grande medida de dois dados moderados do IPC dos Estados Unidos antes da reunião do FOMC”. Caso esses números não sejam alcançados, alertou que isso provavelmente indicaria um aumento das taxas pelo Fed e um dólar mais forte.

O próximo dado de inflação dos Estados Unidos, referente a julho, será divulgado em 12 de agosto, e o número de agosto será publicado em 11 de setembro. Na última leitura disponível, referente a junho, a inflação anual ficou em 3,5%, abaixo dos 3,8% esperados pelo mercado.

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Essa expectativa se soma a outro ponto que o mercado cambial acompanha de perto: a evolução das tensões no Golfo Pérsico e o impacto que elas podem ter sobre a inflação norte-americana.

Por isso, Chris Turner, analista do ING, afirmou que os mercados cambiais estão “presos entre os acontecimentos no Golfo e a reunião decisiva do Federal Reserve em 16 de setembro”, enquanto o mercado aguarda os dois novos dados de inflação antes da decisão do banco central.

Para o ING, existe “um caminho muito estreito, que defendemos, de preços mais baixos da energia e uma política inalterada do Fed que leve a um enfraquecimento benigno do dólar”.

Nesse cenário base, o banco mantém sua expectativa de que o euro se valorize em relação ao dólar até o final do ano e considera que um Fed inalterado também favoreceria novos ganhos para as moedas desenvolvidas de maior rendimento e para as moedas emergentes.

Destaque para três moedas em LatAm

Na América Latina, o ING focou sua análise no real (USDBRL), no peso mexicano (USDMXN) e no peso chileno (USDCLP). O banco afirmou que as moedas da região “têm se mantido relativamente estáveis e continuam superando suas acentuadas curvas forward”.

Turner indicou que “o elevado carry do Brasil continua atraente”, embora tenha pedido que se mantenha a atenção nas notícias políticas antes das eleições presidenciais de outubro.

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O ING acrescentou que, caso se confirme seu cenário de um Fed sem aumentos nas taxas, “o real deve continuar em alta”. As projeções apontam para uma taxa de câmbio de R$5,15 em um e três meses, R$5 em seis meses e R$4,75 em um horizonte de doze meses, um cenário que reflete uma valorização gradual do real em relação ao dólar.

Dólar x Real

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Além disso, Turner afirmou que “tanto o peso mexicano quanto o peso chileno parecem bastante estáveis”. Se o Fed mantiver as taxas, o ING espera que a taxa de câmbio mexicana volte a testar a parte inferior da faixa recente, embora tenha lembrado que “o Banxico não gosta de um câmbio abaixo de MXN$17”.

A instituição também identifica uma eventual renegociação do T-MEC e um aumento das taxas pelo Fed entre os riscos para o peso. Para a moeda, a instituição projeta uma taxa de câmbio de MXN$17,25 em um, três, seis e doze meses, uma previsão que aponta para um comportamento estável da taxa de câmbio.

Dólar x Peso mexicano

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Em relação ao Chile, o ING considera que o peso poderia se fortalecer se o cobre mantiver sua alta. Turner escreveu que “o peso chileno poderia tentar avançar em direção a CLP$ 900 se o cobre conseguir ultrapassar os US$ 14.000 por tonelada”.

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O banco acrescentou que a atenção também estará voltada para as decisões de Washington sobre as tarifas sobre o cobre, já que o efeito sobre a moeda chilena dependerá de as exportações do país serem isentas ou não.

Dólar x Peso chileno

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Assim, os próximos dados sobre a inflação nos Estados Unidos definirão o tom para o dólar e, ao mesmo tempo, colocarão à prova se o cenário previsto pelo ING para o real, o peso mexicano e o peso chileno conseguirá se manter nos próximos meses.

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