Bloomberg Línea — Investidores nesta quinta-feira (31) monitoram a votação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2024 no Brasil, que deve acontecer ainda hoje. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmam que a meta do resultado primário será de “déficit zero”.
Na China, a contração do setor de manufatura diminuiu ligeiramente em agosto, e um indicador que acompanha os novos pedidos mostrou alguma melhoria, o que gerou esperanças de que a pior fase da crise da indústria no país esteja chegando ao fim. A reação do mercado aos dados foi moderada, mas fornece alguns sinais de que as medidas específicas tomadas pelas autoridades para sustentar a economia local estão surtindo efeito.
Nos Estados Unidos, traders continuam de olho nas taxas de juros do país. O presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, alertou que os banqueiros centrais do Fed devem ser cautelosos para evitar um aperto excessivo na política monetária e o risco de prejudicar o mercado de trabalho.
Durante um evento na África do Sul, ele afirmou que a política monetária dos Estados Unidos está “adequadamente restritiva”. Bostic acrescentou: “Acredito que devemos ser cautelosos e pacientes, permitindo que a atual política restritiva continue a influenciar a economia, a fim de não arriscar endurecer demais a política monetária e infligir danos econômicos desnecessários”.
No mercado corporativo, o UBS (UBS) registrou o maior lucro trimestral já registrado por um banco como resultado da aquisição de emergência de seu concorrente Credit Suisse (CS).
Na zona do euro, dados mostram que a inflação parou de desacelerar em agosto, apresentando um dilema para as autoridades do Banco Central Europeu (BCE) enquanto avaliam se as pressões são tão persistentes a ponto de arriscar uma pausa no aumento das taxas de juros.
Os preços ao consumidor nos países da zona do euro subiram 5,3% em relação ao ano anterior, mantendo-se mais de 2,5 vezes acima da meta buscada pelos formuladores de política monetária, devido à energia. Os economistas previam enfraquecimento. Uma medida subjacente que exclui itens voláteis desacelerou conforme o esperado, alcançando o mesmo nível do indicador principal.
Confira a seguir cinco destaques desta quinta-feira (31):
1. Lula e orçamento de 2024
Em busca de receitas para zerar o déficit primário do governo em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adotar uma estratégia que líderes de todo o mundo têm tentado implementar: novos impostos sobre os mais ricos.
O governo anunciou nesta semana uma série de medidas para tributar fundos fechados e empresas offshore que normalmente são acessíveis apenas a investidores com mais capital. Os planos fazem parte de um esforço para equilibrar o Orçamento de 2024 e, ao mesmo tempo, tornar o regime tributário brasileiro menos regressivo. Ambos, no entanto, podem ser difíceis de serem aprovados.
Líderes do Congresso já expressaram ceticismo em relação às propostas iniciais. E, mesmo que elas se tornem lei como foram concebidas, o governo ainda precisará angariar receitas adicionais para transformar o déficit previsto de R$ 145 bilhões em 2023 em zero em 2024.
O plano de Lula estabelece alíquotas que variam de 15% a 20% sobre fundos fechados, que captam quantias fixas de dinheiro de seus acionistas. A taxa, que o presidente impôs por meio de medida provisória, será cobrada duas vezes por ano.
O governo também propôs uma legislação para tributar investimentos offshore, empresas e trusts com taxas progressivas até 22,5%. As duas medidas trariam cerca de R$ 45 bilhões em receitas adicionais até 2026, segundo o Ministério da Fazenda. Somente em 2024, esse valor será de R$ 20,3 bilhões.
Mas o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, precisará de muito mais para equilibrar o orçamento. Serão necessários quase R$ 200 bilhões para cumprir a promessa de zerar o déficit no próximo ano.
2. UBS tem lucro recorde
O UBS registrou o maior lucro trimestral já registrado por um banco como resultado da aquisição de emergência de seu concorrente Credit Suisse.
O banco registrou um lucro de US$ 29 bilhões, resultado da diferença contábil entre o valor patrimonial do Credit Suisse e os US$ 3,8 bilhões que o UBS pagou pelo banco.
Isso supera o lucro de US$ 14,3 bilhões obtido pelo JPMorgan Chase no primeiro trimestre de 2021. A notícia fez com que as ações da UBS disparassem em Zurique e os investidores vissem sinais positivos em relação à integração das duas empresas.
3. Mercados
As ações europeias subiram mais cedo, impulsionadas pelos lucros recordes do UBS e pelas expectativas de que o ciclo de aperto das taxas pelos bancos centrais possa estar chegando ao fim. A alta de mais de 7% do UBS ajudou o índice Stoxx 600 a reduzir sua queda mensal.
O banco registrou o maior lucro trimestral já obtido por um banco devido à sua aquisição de emergência do Credit Suisse (CS). Os futuros do S&P 500 tiveram pouca variação, enquanto os contratos do Nasdaq recuaram depois que o índice subjacente registrou quatro dias seguidos de ganhos.
Os mercados estão encerrando o mês com dados de crescimento de preços e a enfraquecida economia da China em destaque.
As ações europeias reduziram seu avanço após a inflação na região parar de diminuir em agosto, apresentando um dilema para os funcionários do Banco Central Europeu (BCE), enquanto ponderam a possibilidade de uma política mais rígida diante de sinais de crescimento enfraquecido.
Enquanto isso, o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos estava próximo de uma baixa de três semanas após números econômicos mais fracos do que o esperado na quarta-feira, o que apoiou as previsões de que o Fed diminuirá o ritmo de aumentos nas taxas de juros.
Os números de auxílio-desemprego nos EUA subiram ligeiramente para 235.000, de acordo com economistas consultados pela Bloomberg antes dos dados de pedidos iniciais na quinta. Os números de empregos não-agrícolas que serão conhecidos na sexta-feira (1º de setembro) são esperados em 170.000 em agosto, em comparação com 187.000 em julho, enquanto o crescimento salarial por hora é previsto para desacelerar ligeiramente.
4. Manchetes dos principais jornais
Estadão: Caso das joias: o que esperar do depoimento simultâneo de Bolsonaro, Michelle, Wassef e Mauro Cid na PF
Folha de S. Paulo: Bolsonaro, Michelle e aliados depõem sob pressão à PF para evitar contradições sobre joias
O Globo: Bela Megale: PF quer entregar relatórios finais dos inquéritos que miram Bolsonaro até dezembro
Valor Econômico: Por déficit zero em 2024, governo prevê pacote de R$ 168 bi
5. Agenda
Nos Estados Unidos, às 9h30, no horário de Brasília, são publicados dados do índice de preços PCE e dos gastos pessoais, ambos referentes a julho, além dos pedidos iniciais por seguro-desemprego na semana passada. Às 10h45, é divulgado o PMI de Chicago. Às 17h30, é publicado o Fed’s Balance Sheet.
Na zona do euro, Luis de Guindos, do Banco Central Europeu (BCE), discursa às 13h.
Na China, às 22h45 é publicado o PMI Industrial Caixin.
-- Com informações da Bloomberg News
Leia também
Como a JHSF pretende levar o consumo de luxo para o campo, segundo o CEO
Para Barclays, corte maior da Selic custou credibilidade ao Banco Central
Mercado Livre renova programa de fidelidade em busca de engajar mais o cliente