Bloomberg — O presidente da BlackRock, Rob Kapito, afirmou que os investidores podem estar subestimando os riscos decorrentes da guerra com o Irã, que provavelmente vão pesar sobre o crescimento e elevar a inflação, mesmo que o conflito termine em breve.
O crescimento pode ser atingido em até dois pontos percentuais, enquanto a inflação pode subir em uma margem semelhante, mesmo que a guerra acabe logo, alertou Kapito no Simpósio de Finanças e Inovação da Ásia-Pacífico, em Melbourne, nesta quinta-feira (26).
O preço do petróleo ainda pode disparar para US$ 150 o barril mesmo “se anunciarmos amanhã que a guerra acabou”, já que levaria tempo para que as cadeias de suprimentos interrompidas voltassem à plena capacidade.
“E se essa perturbação durar uma semana, seis meses, um ano — o que isso significará para as empresas que eu possuo?”, disse Kapito. “Minha maior preocupação é que as pessoas não estão olhando para isso — estão apenas presumindo” um desfecho otimista.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
O índice de ações dos EUA, o S&P 500, tem caído menos de 5% desde o início da guerra, há quase um mês, enquanto algumas operações defensivas falharam.
O ouro caiu quase 15%, e os títulos do Tesouro americano — que normalmente dão proteção à carteira — também recuaram conforme a subida dos preços do petróleo desencadeia preocupações com a inflação.
No passado, “quando havia um conflito como este, você comprava Treasuries de curto prazo, comprava ouro e vendia o mercado de ações a descoberto”, disse Kapito, que destacou a resposta desigual do mercado à guerra.
No mesmo evento em Melbourne, o presidente da Apollo Global Management, Jim Zelter, também alertou para um risco elevado de recessão nos EUA e ao ciclo de crédito diante de um conflito prolongado.
Leia também: Governo oferece R$ 15 bi em financiamento a empresas afetadas por guerras e tarifas
Os alertas destacam a crescente preocupação de que os mercados estejam complacentes demais com as consequências econômicas do conflito, particularmente o potencial de interrupções prolongadas na oferta de energia e no transporte marítimo, que podem se alastrar pelas cadeias globais de suprimentos.
Zelter afirmou que os consumidores dos EUA, que têm sido um pilar da economia nos últimos anos, já mostram sinais de dificuldades. A confiança do consumidor nos dois primeiros meses do ano já vinha se enfraquecendo, e os preços do petróleo mais altos causará ainda mais prejuízos aos seus bolsos, acrescentou.
“Não se trata propriamente de um choque nas taxas de juros, mas é um choque de confiança nos gastos na maior economia do mundo”, disse Zelter.
Leia também: A China ficou de fora da guerra no Irã. Mas o conflito ameaça sufocar suas exportações
Apesar da perspectiva de crescimento mais lento e inflação mais alta ligada à guerra, Kapito afirmou que permanece otimista em relação ao longo prazo, citando temas como inteligência artificial e a ascensão dos mercados privados como ventos favoráveis importantes para os investidores.
Veja mais em bloomberg.com